FHC usa filha para atrair Sarney
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Num esforço para se reaproximar do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu ontem, em almoço no Palácio da Alvorada, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). Ao contrário do pai, Roseana defende abertamente a reeleição, mas ficou preocupada com o desgaste nas relações entre Sarney e Fernando Henrique, após a convenção do PMDB no dia 12, que decidiu suspender a tramitação da emenda que permitirá ao presidente disputar novo mandato em 1998.
A governadora tinha prometido ao presidente o apoio total da sessão maranhense do PMDB, controlada por ela, mas foi surpreendida com a participação de seus comandados na manobra anti-reeleição. Por causa disso, ela chegou a demitir o seu secretário de governo, João Alberto, mas voltou atrás depois que ele disse ter sido enganado pelos dirigentes do partido. Outro maranhense que votou contra o governo no episódio foi o deputado Albérico Filho, primo da governadora.
José Sarney foi contrário às demissões e, no final da semana, a filha mudou o discurso. Roseana passou a defender a necessidade de dar um espaço maior ao PMDB, tomando as dores do partido, sem abrir mão de continuar defendendo a reeleição. Ela está 100% com o governo nesse tema, disse o senador Edison Lobão (PFL-MA), amigo da família. Veio a Brasília para articular a aprovação da emenda e tentar uma reaproximação entre o presidente e o senador Sarney.
Reeleger Roseana é, hoje, o principal objetivo do pai.
Ela está 100%
com o governo
nesse tema
(a reeleição)
Roseana Sarney definiu sua conversa com o presidente como descontraída e agradável. Estou apostando no entendimento entre PMDB, PFL e Palácio do Planalto, disse a governadora. Ela acredita que o almoço fez parte de um esforço para descontrair o clima tenso. O período mais difícil passou; a tendência agora é acalmar, avaliou. Bastariam dois ou três dias em Brasília, para que a governadora resolvesse os problemas administrativos de Estado. Mas a agenda política vai retê-la em Brasília por uma semana. Para ajudar o governo na articulação em favor da reeleição-já, Roseana já bloqueou a agenda na tarde de quarta-feira, dia de quórum mais alto na semana política do Legislativo. Passarei a tarde no Congresso, conversando, antecipou.
O senador José Sarney, que estava no Amapá, ficou particularmente irritado com o pito que levou do presidente, junto com outros líderes do PMDB, na segunda-feira após a convenção. O governo voltou a se explicar ontem também por meio do porta-voz Sérgio Amaral: No encontro com o PMDB, o presidente não fez nenhuma menção desairosa a nenhum dos líderes presentes, afirmou.
Sarney era aguardado ontem à noite em Brasília, onde a filha permaneceu para fazer um relato. A um amigo, a governadora contou que o encontro do Alvorada foi politicamente positivo. Nenhum político das relações de Sarney, no entanto, apostava ontem que fosse possível, por causa disso, antecipar a votação da emenda, que o PMDB pretende deixar para depois de 15 de fevereiro.


