FHC tenta garantir apoio para ajuste
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Doca de Oliveira Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse aos líderes aliados no Senado, em jantar na casa do vice-presidente Marco Maciel, esperar do Congresso o apoio ao pacote de medidas de ajuste fiscal. Fernando Henrique contou ter conversado anteontem com o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, que teria dito que o Brasil precisa vencer suas dificuldades e perguntou quais as reais chances de o Congresso brasileiro aprovar o ajuste. Ele é nosso aliado, teria comentado Fernando Henrique aos senadores, acrescentando ter transmitido sua confiança no apoio do Legislativo.
Uma reação negativa do Congresso neste momento pode gerar incredulidade em torno da nossa capacidade de ajuste lá fora, disse um dos políticos presentes ao jantar. Antes de passar a palavra aos seus ministros que detalharam o pacote fiscal aos senadores, o presidente reiterou que a crise financeira mundial repercute em todas as economias emergentes, exigindo-lhes alguma reestruturação e adaptação, e chamou atenção para o fato de que os países que fizerem o seu ajuste mais rapidamente, reduzindo o grau de risco, estarão mais aptos a ganhar a disputa por novos investimentos internacionais. Malan foi o que mais falou, contou um dos políticos presentes, referindo-se ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Aliás, me impressionou a afinidade de discursos entre os dois, estão falando igualzinho, acrescentou, referindo-se ao ministro e ao presidente.
Além de Malan, jantaram no Palácio do Jaburu quarta-feira os ministros Waldeck Ornelas, da Previdência; Paulo Paiva, do Planejamento e Cláudia Costin, da Administração, o secretário-executivo do ministério do Planejamento, Martus Tavares, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC); o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vivela (AL); o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Pedro Piva (PMDB-SP); e o relator da proposta do Orçamento, senador Ramez Tebet (PMDB-MS). O presidente Fernando Henrique chegou poucos minutos depois das 21 horas e permaneceu no Palácio do Jaburu até as 22h45.
Foi distribuída aos presentes uma cópia de todas as medidas que serão enviadas ao Congresso, com tabelas e explicações. A maior ênfase foi na questão de Previdência, contou um senador aliado. Depois do presidente, os ministros explicaram as ações em suas respectivas pastas, respondendo às dúvidas dos políticos. A preocupação é que tudo ficasse bem entendido para evitar interpretações equivocadas.
Durante o jantar, o presidente e sua equipe não discutiram nenhuma alternativa para o pacote já anunciado. Mas ouviram que o conjunto de medidas era pesado e de difícil aprovação. Eles reconheceram isso e o presidente também, disse um dos aliados convidados. Segundo ele, o presidente não escondeu sua surpresa diante das explicações da ministra da Administração, que mostrou que o saldo médio da cobrança da contribuição previdenciária sobre os salários acima de R$ 1.200,00 poderá significar uma alíquota superior a 18%. Até ele demonstrou espanto, lembrou o senador.
Os políticos garantiram que não houve oportunidade, nem era a ocasião oportuna, para levar ao presidente reclamações da campanha eleitoral. O presidente nacional e líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), por exemplo, contou um senador, estava tranquilo. No jantar, também a composição do segundo governo foi ignorada. Os senadores são menos afoitos, justificou um dos políticos convidados. Embora informal, comentaram, a conversa foi mantida em um certo tom solene, deixando no ar um certo clima de gravidade e urgência.


