Arquivo FolhaFHC será sabatinado sobre as medidas para garantir a estabilidade do RealA visita de Estado ao Reino Unido do presidente Fernando Henrique Cardoso, que chega hoje às 22h em Londres (20h de Brasília), será um teste exaustivo do efeito da crise financeira asiática sobre a confiança dos investidores internacionais no País. O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, faz parte da comitiva oficial e deve explicar à comunidade financeira as medidas recentemente adotadas para a defesa da estabilidade do real.
A programação da visita, que dura até sexta-feira, está centrada nos interesses econômicos entre os dois países, com previsões de várias reuniões do presidente com empresários e banqueiros. A intenção é de que estes encontros possam trazer resultados financeiros para o Brasil. Apenas as empresas cujos presidentes terão audiências reservadas com Fernando Henrique têm, em conjunto, perspectivas divulgadas de investir no país de cerca de US$ 3 bilhões, para os próximos quatro anos.
O que não pode ser previsto pelo governo é o fato da visita coincidir com um momento em que os problemas do Real se tornaram assunto obrigatório na imprensa especializada inglesa. No último sábado, o editorial do Financial Times cita Brasil e Rússia como os países que ainda podem ser contagiados pela crise asiática. A revista The Economist diz que, com os mercados internacionais em baixa, o pacote fiscal do governo pode não ser suficiente nem para salvar o Real nem para garantir uma retomada do crescimento.
Assim, o presidente estará encontrando nos próximos dias uma platéia de investidores inseguros em relação à solidez da estabilidade econômica. Mas também será uma audiência atenta ao potencial do país. Um exemplo do atual interesse inglês no Brasil é um relatório divulgado há três semanas pelo DTI, o Departamento de Indústria e Comércio inglês, que nomeou o país como mercado prioritário para as exportações britânicas.
A inclusão do Brasil como prioridade é resultado em parte do apetite brasileiro pela importação de produtos britânicos, que deverá ser este ano o triplo do que era em 1993, um efeito da piora do desempenho comercial do país. Por outro lado, reflete uma avaliação de que o país deverá ter uma alta taxa de crescimento nos próximos anos.
Ao desembarcar em Londres o presidente Fernando Henrique Cardoso será cercado de pompas como chefe de Estado, mas também passará por alguns constrangimentos na capital mundial das organizações não-governamentais (ONGs). Na quarta-feira, os Amigos do Movimento dos Sem-Terra farão uma manifestação em frente à London School, onde o presidente receberá o título de doutor honoris causa. Os manifestantes vão pedir a aceleração do programa de reforma agrária.

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