FHC tenta barrar aliança com a oposição
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Silvia Faria Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso está trabalhando nos bastidores para manter unida a base aliada. Uma das recomendações aos ministros é para que não se envolvam na disputa pela sucessão na Câmara e no Senado. Fernando Henrique também não fala sobre o assunto, mas mandou dizer aos líderes do PFL, PMDB e PSDB que não aceitará alianças com partidos de oposição. A aliança com a oposição significará rompimento com o governo, avisou Fernando Henrique a vários interlocutores.
O recado tem alvo certo: as articulações de setores do PFL e do PSDB com o PT, para apoiar seus respectivos candidatos (Inocêncio Oliveira e Aécio Neves) na disputa pela presidência da Câmara; e também evitar o apoio ao candidato das oposições à presidência do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM). Ontem, a própria governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), entrou em campo e trabalhou diretamente na cooptação de votos de oposicionistas para Inocêncio.
O presidente avisou que a aliança com a oposição implicará na perda de cargos na administração federal. O princípio vale para todos os candidatos, inclusive o Aécio (do mesmo partido do presidente), disse um palaciano. Os articuladores políticos do governo tentam preservar o presidente de eventuais desgastes, sob o argumento de que a questão é pertinente ao Legislativo e não contou com a participação de Fernando Henrique para chegar ao nível de deterioração atual. O presidente só interviria em caso extremo, se tivesse uma alternativa de solução, que não existe, disse um ministro que esteve ontem com Fernando Henrique.
O Palácio do Planalto acredita numa acomodação dos partidos e na preservação da aliança. Para isso, o ideal seria que Inocêncio vencesse a disputa na Câmara, na votação contra Aécio. Ministros e articuladores políticos do tucanato, ligados ao Planalto, estão fora da candidatura Aécio, por considerá-la um complicador do quadro político. Para o presidente, é mais fácil acomodar Aécio em algum cargo federal, dando-lhe experiência administrativa, do que recompor um PFL enfraquecido com a eventual derrota de Inocêncio Oliveira.
Na avaliação dos articuladores políticos do governo, mesmo que Inocêncio perca a eleição para a presidência da Câmara, isso não mudaria muito a relação do Planalto com o PFL. A avaliação que predomina neste setor é de que, seguindo sua tradição histórica, os pefelistas jamais abandonarão o poder, mesmo que segmentos do partido liderados por ACM e pelo próprio Inocêncio venham a preferir uma posição de independência. Não se pode confundir o PFL com o ACM ou o Inocêncio, frisou o interlocutor de Fernando Henrique.
A disputa já tem provocado fortes estragos. Ontem, com a ajuda do PFL, a oposição derrubou uma medida provisória que previa o pagamento de salários aos servidores do Executivo até o dia 5 do mês seguinte. Com a rejeição, o pagamento volta a ser feito dentro do próprio mês. Assim, o pagamento de dezembro deste ano, que seria feito em janeiro de 2002, volta para 2001. O governo, então, terá que desembolsar mais R$ 3 bilhões.


