FHC tenta atrair parlamentares para o PSDB
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domingo, 30 de setembro de 2001
Gilse Guedes<br>Agência Estado 
Neste período de mudança nos partidos, o presidente Fernando Henrique Cardoso envolveu-se pessoalmente na operação para atrair parlamentares para o PSDB e reverter a tendência de diminuição da bancada no Senado e na Câmara. Depois da frustrada tentativa de ver o senador Paulo Souto (PFL-BA) e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), no PSDB, Fernando Henrique abriu uma nova negociação: na última quinta-feira esteve com o senador Gerson Camata (ES), de saída do PMDB, para convencê-lo a aceitar o convite do comando da legenda para que entre no PSDB.
Dia 6 de outubro é o limite para a troca de siglas para quem quer disputar a eleição de 2002. Para Fernando Henrique, a filiação de Camata ao PSDB será uma forma para fortalecer a bancada no Senado, que perdeu, há menos de um mês, os irmãos paranaenses Álvaro e Osmar Dias para o PDT. Na quarta-feira, o partido terá menos um senador na Casa: o ex-líder do PSDB Sérgio Machado, que assinará sua ficha de filiação ao PMDB em evento organizado pela cúpula peemedebista no Senado para o qual foram convidados ministros e governadores do partido.
Também assediado pelo PPS e o PFL, Camata deve comunicar sua decisão ao presidente até amanhã, a quatro dias do final do prazo para o político que quer disputar a eleição de 2002 mudar de sigla. ''O presidente disse que ficaria muito honrado se eu entrasse para o PSDB'', disse Camata, que já havia sido convidado pelo prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), presidente da comissão provisória do partido no Espírito Santo. Vellozo preparou o terreno para garantir o ingresso de Camata no PSDB oferecendo total apoio para reelegê-lo senador em 2002.
Às vésperas do final do prazo fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os políticos deixam claro que não estão preocupados em manter os compromissos com suas legendas de origem. Elogiada em discursos de políticos da base governista e da oposição, a proposta que institui a fidelidade partidária está longe de ser aprovada no Congresso.
Curiosamente, Machado é autor de uma proposta de emenda constitucional (PEC) que estabelece que perderá automaticamente o mandato o parlamentar que deixar a legenda. ''Não vejo nenhuma contradição, porque estou saindo justamente pela falta de força dos partidos e da ausência de democracia interna no PSDB do Ceará'', justificou.
A PEC de Machado está tramitando desde 1999 no Senado. Um outro projeto, apresentado pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), já foi aprovado na Casa, mas está parado na Câmara. O texto diz que quem trocar de legenda terá de permanecer quatro anos para disputar uma eleição. Apesar de a matéria ser menos radical, não há consenso para aprová-la. ''Por causa de certos interesses, o projeto dificilmente vai passar na Câmara'', reconheceu o líder do PT, Walter Pinheiro (BA).
Basta uma análise no levantamento feito pela secretaria-geral da Câmara detalhando o troca-troca entre as legendas para se verificar que não há interesse dos parlamentares em estabelecer regras para dificultar essa movimentação. Há deputados que ficam apenas dois dias num partido.


