FHC teme que seca atrapalhe campanha
FHC teme que seca atrapalhe campanha
Para evitar que os efeitos da seca alcancem sua campanha à reeleição, o presidente tem pressa em encontrar soluções
Agência Estado
Arquivo Folha
Chegou a horaFernando Henrique: presidente vem anunciando série de obras para evitar prejuízo eleitoral O presidente Fernando Henrique Cardoso ainda não se declarou candidato, mas já está em campanha pelo País. A agenda das cidades escolhidas está sendo marcada aos poucos, de acordo com a conveniência do momento. Além do desemprego nas grandes cidades, o presidente tem agora uma outra grande preocupação: a seca no Nordeste. Para evitar que os efeitos da seca alcancem sua campanha, o presidente tem pressa em encontrar soluções. Por isso, puxou o problema para perto de si, nomeando um tucano - Sérgio Moreira - para coordenar a ação contra a seca e a distribuição das cestas.
Fernando Henrique também está designando um outro homem de confiança, José Luiz Portela, ex-secretário-executivo do Ministério dos Transportes e ex-presidente da Fundação de Assistência ao Estudante (FAE), que moralizou a distribuição da merenda escolar, para direcionar as ações do governo nesta área. Portela ainda não sabe qual será seu cargo ou em que sala irá trabalhar, mas sua missão já está definida: evitar o uso político, pelos aliados dos diferentes partidos que apóiam a reeleição de Fernando Henrique, na distribuição das cestas de alimentos.
Com o argumento de combater a miséria provocada pela seca, o presidente aproveitou para anunciar uma série de obras com o objetivo de criar empregos na região. Todas elas fazem parte do programa Brasil em Ação, que dá respaldo à sua campanha. O dinheiro das obras anunciadas estará disponível para ser liberado sempre que o presidente achar conveniente. A melhor solução para seca, de acordo com avaliações do próprio Planalto, será a oferta de mais postos de trabalho para a população pobre do interior do Nordeste que, com empregos, sofreria menos os efeitos do problema, que surgiu como outro fator negativo para atrapalhar o céu de brigadeiro que prometia ser a sua campanha.
Em todas as próximas viagens que vier a fazer a capitais, Fernando Henrique aproveitará para visitar o interior ou comunidades mais pobres da área e acompanhar os efeitos da ação do governo naqueles locais. Nestas viagens, no entanto, o presidente aproveita para se aproximar do povo e acaba agindo, tipicamente, como candidato.
Na sexta-feira, quando esteve em Ipirá, no interior da Bahia, além dos tradicionais apertos de mão, beijos e abraços, o presidente quebrou o protocolo ao colocar um chapéu de vaqueiro na cabeça e posar para fotos ao lado de um homem do campo. Uma das mais marcantes imagens da primeira campanha de Fernando Henrique foi feita no interior de Pernambuco, quando o então candidato montou em um jegue.
A retomada das viagens pelo interior e com características de campanha aconteceu na última segunda-feira, quando o presidente foi a Tejuçuoca, no sertão do Ceará. Ele conheceu a chamada seca verde, que provoca a perda da produção de milho na roça, tirou fotos, deu autógrafos e distribuiu beijos. Chegou até mesmo a dizer que não se importava em saber em quem o sertanejo que o recebeu em seu casebre iria votar. Mas o sertanejo fez questão de dizer que votaria no senhor Cardoso.
As próximas viagens pelo interior ainda não estão marcadas, mas devem ocupar as sextas e sábados do presidente. As mais recentes foram decididas com pouco mais de 48 horas de antecedência, bem diferente das divulgações de hábito, feitas pelo menos uma semana antes da viagem. Os roteiros também estão sendo tratados como segredo de Estado. O motivo para esta mudança de conduta não aparece mas, nas últimas viagens, a segurança tem se preocupado em montar barreiras a quilômetros de distância por onde o presidente vai passar. Com isso, tem evitado enfrentar manifestações, que estavam sendo comuns nas viagens.
As investidas pelo interior do País estão comprometidas durante o mês de maio, por causa da viagem de uma semana que o presidente fará, a partir do dia 16, a Espanha, Suíça e Portugal. A partir do dia 25, o presidente deverá retomar suas viagens internas. Se depender da promessa que fez aos governadores, em breve visitará a Paraíba, o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul. Para o mês que vem, as viagens nacionais já confirmadas são para o Paraná e São Paulo, onde o presidente se reunirá com a colônia dos descendentes de japoneses.





