FHC tem ficado distante do Brasil real, diz Temer
Agência Estado
De São Paulo
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem que o governo precisa tirar a casca de planaltização que o envolve e parar de jogar a culpa pela falta de ajuste fiscal no Congresso. Para ele, as decisões sobre os destinos do País estão muito aprisionadas em Brasília e o presidente Fernando Henrique Cardoso tem ficado distante do Brasil real.
Nome de peso de um partido aliado, Temer defendeu novo reforço na articulação política para que o Executivo crie maior sintonia com a sociedade. O governo precisa ter informações nos Estados para sentir o Brasil real, se não fica planaltizado, disse o deputado. Sempre falei para o presidente que ele precisava ter alguém para levar a bola no peito, completou Temer, que considera insuficiente o quinteto tucano responsável pela articulação política.
O deputado observou que o Congresso aprovou todas as reformas pedidas pelo Executivo. Mas, se não houver articuladores nas ruas e a política econômica não for redirecionada, as dificuldades vão continuar, previu.
Temer lembrou que, para a conclusão do ajuste, só falta a aprovação da reforma tributária, da Lei de Responsabilidade Fiscal e das três leis complementares da Previdência. Pelos seus cálculos, todos esses projetos devem ser votados até o fim do ano na Câmara. Depois disso, o governo vai alegar o quê?, perguntou. Não pode ficar mais três anos só reagindo aos fatos.
Na avaliação do deputado, o Congresso fez uma mudança de 180 graus na estrutura econômica e na administração pública do País. Está certo que na Previdência a alteração foi de 90 graus, mas foi a reforma possível, alegou. Para o presidente da Câmara, é o governo que precisa agir agora. Mas ele fez questão de ressaltar que não endossa o coro dos defensores da saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan. As mudanças podem ser feitas com Malan, sustentou.





