FHC sofre primeira grande derrota
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
Agência Estado de Brasília 
O governo sofreu ontem a primeira grande derrota na votação da reforma administrativa com a derrubada de um dos principais pontos que permitiria o fim da estabilidade para futuros servidores contratados pelo Estado. Ajudadas por rebeldes do PPB, PMDB, PFL e até PSDB, as oposições conseguiram retirar do texto do relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ) a figura do emprego público, um dispositivo que garantiria a contratação de funcionários sem estabilidade. Para manter o texto o governo precisava de 308 votos e só conseguiu 298, contra 142 e oito abstenções.
O destaque para votação em separado (DVS) apresentado pelo bloco PT-PDT-PC do B manteve ainda o Regime Jurídico Único (RJU) dos servidores públicos, que estava extinto no texto de Moreira Franco. Atordoados com a derrota, os líderes governistas tentavam identificar as baixas na base governista e trataram de suspender a sessão, temendo novos fracassos nas votações seguintes dos destaques. Os líderes aliados contavam inicialmente com 391 deputados da base governista em plenário.
O contrato de emprego público era um dos pilares da reforma administrativa, porque quebrava o RJU e flexibiliza a demissão de funcionários, lamentou o presidente em exercício do PSDB, deputado Arnaldo Madeira (SP). Do jeito que ficou tudo agora continua como carreira típica do Estado, continuou. Com a queda do emprego público e a manutenção do regime único todo servidor que entrar para o serviço público terá estabilidade no emprego depois de completar o estágio probatório.
O governo está pagando por negociar mal e vai ter uma reforma meia-sola, afirmou o deputado José Genoíno (PT-SP). O deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP) comemorava a vitória das oposições. Ninguém vai quebrar estabilidade de servidor aqui nessa Casa, garantia. Antes que o governo sofresse outra derrota, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), orientou sua bancada a obstruir a sessão e adiou, assim, a votação do DVS do PSB que derruba o subteto. O destaque retira do texto a possibilidade de governadores e prefeitos fixarem subtetos para outros Poderes. PFL e PSDB também haviam apresentado DVS com o mesmo teor, retirados em plenário. O acordo envolvia o PSB, que na última hora decidiu manter seu destaque.


