O presidente Fernando Henrique Cardoso promoveu um jantar, no Palácio da Alvorada, com os líderes do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), para sinalizar ao presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que o governo está disposto a evitar o isolamento dele diante das acusações envolvendo o nome do peemedebista no suposto esquema de desvios de recursos públicos depositados no Banco do Estado do Pará (Banpará). O caso Banpará faz parte do teor de um relatório do Banco Central (BC).
Dispostos a derrotar a estratégia do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que vem explorando politicamente as denúncias, Geddel e Calheiros foram ao presidente na quarta-feira para buscar seu apoio. A cúpula do PMDB decidiu preparar-se para reagir, temendo o resultado da campanha de ACM, cujo principal objetivo é o enfraquecimento do presidente do Senado.
A reunião no Alvorada ocorreu anteontem, depois que foi identificada uma crescente preocupação de parlamentares da legenda diante da posição de Jader em relação ao caso Banpará. Durante o jantar, que durou cerca de duas horas, a mensagem do presidente foi clara: o governo trabalhará para neutralizar a disputa entre integrantes da base de sustentação, de forma a contribuir para a retomada das votações no Congresso.
Geddel e Calheiros quiseram dar uma demonstração ao presidente de que o PMDB quer afinar o discurso com o governo para que o Congresso saia do imobilismo. Desde a polêmica eleição para as presidências do Senado e da Câmara, o Congresso está parado por causa do racha na base governista. A estratégia do PMDB é tirar do noticiário, com a retomada das votações e discussões em torno de projetos, as denúncias envolvendo o presidente do Senado. Os dois líderes disseram ao presidente que a disposição de Jader é negociar para ‘‘limpar’’ a pauta do Congresso.

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