O presidente Fernando Henrique Cardoso, que recebeu ontem a visita do presidente do México Ernesto Zedillo, acompanhou com preocupação o depoimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Cláudio Mauch à CPI dos Bancos. Embora tivesse certeza de que Mauch não repetiria o ‘‘fiasco’’ do ex-presidente do BC, Francisco Lopes, que não prestou os esclarecimentos ao se negar a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade, o governo estava apreensivo em relação ao que poderia acontecer ontem.
‘‘O governo não fala mais sobre Francisco Lopes’’, avisou um assessor do presidente, ao elogiar a correção e a coragem de Mauch em ir à CPI. O presidente reiterou que todo agente público tem obrigação e o dever de dar explicações sobre os seus atos. O porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral, disse que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, já havia afirmado estar disposto a retornar ao Senado, caso houvesse necessidade, para prestar todo e qualquer esclarecimento necessário sobre o assunto.
O day after de Franscico Lopes não alterou a agenda do presidente, que pretende mostrar que apesar da CPI dos Bancos o País está trabalhando. Ele sancionou projeto de lei de dispõe sobre a política nacional de educação ambiental, recebeu artistas que vieram pedir ação do governo contra pirataria de CDs e dedicou parte do dia a reuniões com o presidente do México, que se encontra em visita oficial ao País de três dias.
As negociações políticas, de acordo com assessores, ficaram a cargo do articulador, ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Hoje, FHC estará fora de Brasília e, mais uma vez tentará dar uma demonstração de que o País e o governo continuam funcionando normalmente.
No encontro de ontem, Fernando Henrique e Zedillo assinaram acordos e reiteraram o compromisso de apoiar as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), com objetivo de eliminar progressivamente as barreiras ao comércio e ao investimento. Os dois conversaram sobre os problemas econômicos enfrentados por ambos e as soluções, assim como a necessidade de fortalecer a cooperação bilateral. O acordo comercial Brasil e México foi interrompido em 97.
Ontem, o governo anunciou o adiamento para o final de julho da viagem que faria ao Equador e Peru entre os dias 11 e 14 de maio.Antonio Scorza/France PresseZedillo foi recebido ontem por FHC em BrasíliaAgência Estado

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