OTTAWA, Canadá - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que não assinará ainda o acordo de extradição de prisioneiros entre o Brasil e o Canadá, porque atos semelhantes estão sendo negociados com outros países. Mas deu esperanças de que dentro de algum tempo poderá ratificar o ato, o que permitirá a expulsão do País do casal Christine Lamont e David Spencer, cada um condenado a 28 anos de prisão pelo sequestro do empresário Abílio Diniz, em 1989.
‘‘Eles foram julgados pela justiça brasileira por terem participado do sequestro do doutor Abílio Diniz’’, disse Fernando Henrique, ao responder a pergunta de vários jornalistas canadenses, na presença do primeiro-ministro Jean Chrétien. O presidente lembrou que existem também acordos relativos ao intercâmbio de prisioneiros de outros países e que o Brasil só deverá tomar uma decisão depois de estudar a assinatura de documentos semelhantes.
‘‘É compreensível que a opinião pública canadense queira que estes prisioneiros terminem suas penas aqui no Canadá, mas é também compreensível que a opinião pública brasileira olhe com atenção estes casos, que são casos que em certo momento foram rumorosos no Brasil e trazem uma certa inquietação’’, afirmou o presidente. Ao chegar ao prédio do Parlamento, em Ottawa, FHC deparou-se com um grupo de cinco manifestantes.
Eram parentes de Christine Lamont, que protestavam contra a pena de 28 anos, lembravam que no Brasil assassinos têm penas menores e diziam que ela já havia cumprido sete anos e meio de cadeia. Imediatamente chegou à delegação brasileira a informação de que havia uma grande movimentação política e diplomática para fazer a pressão pela assinatura do acordo de troca de prisioneiros.
O acordo já foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e só falta agora a assinatura do presidente Fernando Henrique. Mas o presidente do Brasil não se curvou ao lobby montado no prédio do Parlamento. O embaixador Sérgio Amaral, porta-voz da Presidência da República, cuidou de dizer que não sairá uma solução no Canadá, durante a viagem do presidente Fernando Henrique.

mockup