FHC se irrita; tucanos diminuem críticas
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)O chorãoMário Covas, ontem, em São Paulo: Este é o jeito do Mário; ele é meio chorão, comenta FHCA irritação do presidente Fernando Henrique Cardoso em razão da crise política provocada pela recusa oficial do governador paulista, Mário Covas (PSDB), de disputar a reeleição mobilizou a cúpula do partido e trouxe a Brasília quatro dos sete governadores tucanos. Na iminência do impasse, a direção nacional da legenda montou uma operação de paz com a recomendação de prudência à bancada, ao mesmo tempo em que os governadores moderaram o tom das críticas ao governo federal.
O recuo dos tucanos teve um motivo concreto: magoado, Fernando Henrique adiara por tempo indeterminado a reunião que faria com todos os governadores do PSDB. Eles não têm compreendido o esforço do governo, nem meu papel de guardião da moeda, queixou-se o presidente. Um dos colaboradores de Fernando Henrique afirmou que o presidente não reunirá ninguém sobre pressão. Ele não quer parecer assustado com a crise, nem acuado pelo próprio partido, resumiu o assessor.
A primeira demonstração de que o PSDB baixara o tom veio logo cedo. Em Brasília, para garantir recursos com o objetivo de construir um ramal ferroviário em Pirapora, o governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), repetiu as queixas por conta dos prejuízos provocados pela Lei Kandir, com um adendo: Não estou em confronto com o presidente. O governador insiste em cobrar uma saída para a queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas avisou que não vai colocar a faca no peito de ninguém.
Além de Azeredo, passaram por Brasília ontem os governadores tucanos do Rio, Marcello Alencar; do Ceará, Tasso Jereissati, e de Sergipe, Albano Franco. Temos que ser cautelosos porque o momento é de turbulência, admitiu Franco. O sergipano limitou suas articulações ao Congresso e à Executiva do PSDB, mas deu um recado ao Planalto. Os governadores precisam cada vez mais do apoio do presidente. Segundo Franco, é preciso que o governo federal intensifique a parceria com os executivos estaduais para haja a vitória do projeto de poder do PSDB nos Estados. Meu projeto está nas mãos de Fernando Henrique.
Tasso fora convocado na noite da véspera, durante uma reunião informal da executiva do partido na casa do presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). A direção do partido concluiu que ele era imprescindível à pacificação. Ele é nosso grande trunfo para harmonizar o partido porque se relaciona bem com Covas, Fernando Henrique e Ciro Gomes, explicou um dirigente.
A cúpula do partido está irritada e preocupada com os ataques do ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes ao governo e ao presidente, mas até nesse caso a ordem é moderar o tom das respostas. Estamos todos engasgados com o nível das agressões, mas a ordem é pôr panos quentes para evitar que Ciro deixe o partido, explicou um líder informal do PSDB. Tanto o Palácio do Planalto como a direção nacional concluíram que, fora do PSDB, Ciro poderá incomodar mais o partido e o presidente.
A bancada de São Paulo, que na véspera se solidarizara com Covas e protestara contra os maus-tratos de Fernando Henrique ao partido e ao governador, chegou dócil ao Planalto ontem. É preciso esfriar os ânimos porque não se produz nada com brasa sob os pés, recomendou o ex-líder na Câmara José Aníbal aos paulistas, antes da audiência com o presidente. Há momentos em que a verdadeira firmeza é ser prudente, emendou o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM).
O presidente recebeu os parlamentares com bom-humor e a reafirmação da amizade antiga por Covas. Gosto do Mário e conversei com ele ontem sobre outros assuntos, disse o presidente, ao lembrar que em julho foi até Campos do Jordão, no Vale do Paraíba (SP), especialmente para se encontrar com o governador. Mas este é o jeito do Mário; ele é meio chorão, afirmou, em referência às reclamações do governador por conta dos prejuízos da Lei Kandir.
É que nossos pescoços estão à prova em São Paulo porque lá somos eleitos, atalhou o deputado Alberto Goldman, ao justificar o apoio da bancada às reivindicações do governador. Para a deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), a conversa com o presidente foi excelente. Deixamos claro que não queremos brigas entre o Fernando Henrique e o Mário porque quem perde é São Paulo e o partido.


