FHC se emociona durante velório do amigo e irmão Sérgio Motta
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Cardoso durante pronunciamento no Planalto: testamento do amigoO presidente Fernando Henrique Cardoso ficou emocionado nos 45 minutos em que permaneceu no velório de Sérgio Motta. Por três vezes, enxugou as lágrimas com um lenço. Ao seu lado, Ruth Cardoso também chorou.
O avião presidencial chegou ao aeroporto de Congonhas às 14h20. Acompanhava o presidente quase todo o seu ministério. Um segundo avião presidencial chegou em seguida, com seguranças. De carro, ao lado de Ruth, FHC deixou o aeroporto às 14h40 em direção à Assembléia Legislativa, local do velório. Foi direto para a sala da presidência da Casa, onde estava a família de Sérgio Motta. FHC ficou mais de dez minutos com a família do ministro. Também estavam na sala o ministro da Saúde, José Serra, o governador Mário Covas (PSDB) e o vice-governador Geraldo Alckmin. Todos estavam acompanhados de suas mulheres.
Protegido por seguranças, FHC entrou no salão do velório às 15h15. Ao seu lado, vinham Wilma, viúva do ministro, Ruth e seu filho, Paulo Henrique, Covas e Lila. Ficaram ao lado do caixão. FHC demonstrava muita emoção. Terno azul, camisa e gravata na mesma cor, o presidente manteve-se imóvel diante do caixão. Iniciada a cerimônia religiosa, levou pela primeira vez o lenço ao rosto para enxugar lágrimas. Em voz baixa, FHC e Ruth repetiam as preces do padre. Por mais duas vezes, o presidente enxugou as lágrimas - em uma delas retirou o óculos. Em seguida, ajudou a levar o caixão até o carro do Corpo de Bombeiros.
Sérgio Motta deixou um testamento político na última mensagem que escreveu ao presidente Fernando Henrique Cardoso alguns dias antes de morrer. Não se apequene. Cumpra seu destino histórico. Coordene as transformações do País, sentenciou Motta, em fax escrito a mão e enviado ao presidente no último dia nove, minutos antes de ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva e perder a consciência. Pausadamente e com lágrimas nos olhos, Fernando Henrique leu a mensagem no pronunciamento de quase sete minutos feito ontem no Planalto, antes de embarcar para São Paulo para participar do velório do amigo, irmão. (Das agências)





