FHC sai em defesa de seus assessores
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Agência Estado<br> De Brasília 
O governo reagiu ontem ao agravamento da crise provocada pelo vazamento das contas de parlamentares do PPB no Banco do Brasil (BB). Em Fortaleza, o presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu enfaticamente os ministros Eduardo Jorge (secretário-geral da Presidência) e Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos), suspeitos de mandar quebrar o sigilo dos pepebistas. Eles correm o risco de ser convocados a dar explicações na Câmara. A ação do presidente foi coordenada com o Banco do Brasil, que pela primeira vez deu satisfações sobre a crise.
Não há qualquer possibilidade de ministros ou assessores do governo estarem envolvidos no vazamento dessa lista, afirmou Fernando Henrique. Em Brasília, uma semana depois de explodir o escândalo o BB anunciou o afastamento de dois funcionários suspeitos: o secretário-executivo Manoel Pinto de Souza Júnior e o coordenador-chefe parlamentar, Waldemar José de Carvalho Júnior. O banco marcou para sexta-feira a divulgação do resultado de uma auditoria interna sobre o assunto.
O banco divulgou nota no final da tarde, anunciando o afastamento dos dois funcionários, a pedido dos mesmos, poucas horas depois do pronunciamento de Fernando Henrique no Ceará. Ao mesmo tempo, a líder do PT na Câmara, deputada Sandra Starling (MG), requeria a convocação dos ministros Santos e Eduardo Jorge para explicar o vazamento. Houve crime e eles terão de explicar, disse a deputada. O líder do governo, Benito Gama (PFL-BA), aposta que o requerimento não passará. Não vamos dar palanque a quem deseja aparecer, desdenhou.
De acordo com a revista Veja desta semana, assessores de Santos acusam Eduardo Jorge de ter determinado a quebra de sigilo. O requerimento do PT terá de ser aprovado pela comissão representativa da Câmara que funciona durante o recesso parlamentar. A reportagem e a convocação dos ministros instalam a crise dentro do Planalto, principalmente porque Eduardo Jorge é o auxiliar mais próximo de Fernando Henrique, desde os tempos do Senado.
Eduardo Jorge, que já no domingo havia negado qualquer envolvimento, não quis dar entrevistas ontem. Para o presidente da República, não há sequer uma acusação direta a seus auxiliares, mas suposições malévolas. O que existe são boatos e com boatos não se constrói nada, afirmou. Eu tenho a convicção de que ninguém do governo está envolvido nisso. O presidente passou o dia em Fortaleza, onde se reúne a cúpula do Mercosul.
Outra ligação perigosa para o Planalto é o fato de um dos funcionários afastados ontem, o coordenador Waldemar Júnior, já ter trabalhado com Eduardo Jorge e Fernando Henrique, na época em que o presidente da República foi ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Júnior estava cedido à assessoria parlamentar do Ministério e só retornou ao BB quando Paulo César Ximenes assumiu a presidência do banco, já no atual governo.
Dependendo do resultado da auditoria interna, o funcionário ou funcionários que forem apontados como responsáveis poderão ser demitidos por justa causa, além de enfrentar processo judicial. O estatuto do BB prevê a demissão por justa causa como a mais grave punição aos funcionários faltosos. Nessa circunstância, não se pode sequer sacar os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Waldemar Júnior e Manoel Pinto têm seus cargos mencionados no cabeçalho da lista com as contas dos pepebistas.


