O presidente Fernando Henrique Cardoso advertiu anteontem os senadores do PSDB, durante jantar no Palácio da Alvorada, que a criação agora de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção na administração pública vai ‘‘parar’’ ainda mais os trabalhos do Congresso.
‘‘Quem assinar o requerimento da CPI não está contribuindo para a consolidação da democracia’’, teria dito o presidente, conforme relato de um senador presente.
Apesar de Fernando Henrique ter reiterado aos aliados para não assinarem o requerimento das oposições, o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), não seguiu a orientação e anunciou a decisão de subscrever o documento.
‘‘Ele cometeu um erro tático ao tomar essa posição’’, contestou o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), ao saber da iniciativa de Jader.
Na avaliação do líder governista, o presidente do Senado teria tomado essa iniciativa por conta de pressões. ‘‘Eu não seria pressionado dessa forma’’, completou.
Por intermédio da bancada do PSDB no Senado, Fernando Henrique mandou um recado aos líderes dos partidos da base aliada: que identifiquem as matérias importantes e façam um esforço para acelerar as votações.
A informação foi prestada por um senador do PSDB, ao acrescentar que a retomada das votações será fundamental para vencer o clima de imobilismo instalado no Congresso por conta das brigas entre Jader e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que se arrasta por quase um ano.
‘‘A crise política nasceu no Senado e tem de morrer no Senado’’, afirmou o presidente, pedindo a colaboração dos colegas de legenda para vencer a paralisia.

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