O presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu ontem dez ministros ligados a partidos políticos para preparar a megaoperação a fim de abafar a CPI da corrupção no Congresso. FHC mandou os ministros darem um recado duro aos deputados governistas que assinaram o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito: ‘‘Quem mantiver a assinatura será considerado meu adversário e assim será tratado.’’ Em outras palavras, perderão verba pública e cargos no governo.
FHC retomou o método clientelista por avaliar que está jogando o êxito do final de seus oito anos de mandato neste episódio. O objetivo é tirar assinaturas de deputados federais para baixo de 171 adesões, limite mínimo exigido na Câmara para criar a CPI.
Até ontem à noite, o governo dizia ter o compromisso de que 10 deputados vão retirar as assinaturas, o que jogaria o número para 173 – o que ainda não seria suficiente para inviabilizar a investigação. Como é mista, a CPI precisa também de um terço das assinaturas do Senado (27). Já há 29 senadores a favor da investigação.
O presidente, que havia dito que ‘‘não faria barganha para evitar a CPI’’, rendeu-se ao que, eufemisticamente, os aliados chamam de ‘‘operação de governo’’. FHC foi convencido a agir após críticas de caciques governistas à sua articulação política.
Presente à reunião, o presidenciável José Serra (Saúde) foi um dos mais comedidos, mas concordou com FHC quando ele disse que o governo já se desgastara com a opinião pública por tentar barrar a investigação e que seria melhor pagar o preço de abortá-la.
Na reunião com ministros no Palácio da Alvorada, FHC disse que eles deveriam alertar os governistas que apoiaram a CPI de que estão ‘‘colaborando com o projeto da oposição, que é adversária do nosso projeto político’’. O presidente se disse ainda ‘‘indignado’’ com os tucanos que endossaram o requerimento da oposição.

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