O presidente FHC reúne hoje os líderes políticos que compõem sua base de apoio no Congresso para reafirmar a autoridade de seu governo. Num café da manhã com gosto amargo, Fernando Henrique deverá cobrar de seus aliados o fim das brigas entre os partidos da aliança, que culminaram nas demissões de ontem.
O pesar do presidente com a saída de três personagens que estiveram no centro da formulação do modelo ecônomico que sustenta o atual governo, e a sensação entre os próprios aliados de que o segundo mandato de FHC sofreu um golpe profundo antes mesmo de começar, darão o tom do encontro que ocorre no Alvorada. ‘‘A espinha dorsal do governo foi abalada e o presidente terá de dar um murro na mesa para retomar o rumo da situação’’, avaliou um influente líder governista.
‘‘O Brasil fica enfraquecido, o governo fica enfraquecido’’, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL). ‘‘Não tem jeito de tapar o sol com a peneira: o episódio é muito ruim para o governo’’, admitiu o líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). ‘‘Mas o momento tem de ser de união’’, completou. União é uma palavra que não tem encontrado espaço nas relações entre os partidos da base.
‘‘Eles saíram muito mais pela manipulação política, com interesse, tanto da oposição quanto de aliados, em se tirar proveito político do fato’’, disse o presidente do PSDB. Segundo ele, a oposição tentou manchar o processo de privatização, desacreditar o governo FHC e contou com aliados governistas que queriam derrubar o Ministério da Produção. ‘‘Ninguém foi mais solidário ao presidente do que o PFL e não há quem possa colocar em dúvida esse apoio do partido’’, reagiu o vice-presidente da Câmara, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI).
Para o pefelista, o desgaste político da reeleição era previsível e não adianta tucanos jogarem a culpa no PFL. ‘‘O PFL não grampeou ninguém; quem pariu Mateus que o embale’’, rebateu Fortes, referindo-se às declarações do ministro da Saúde, José Serra, atribuindo as demissões a uma crise na base aliada gerada pelo PFL.
Mercosul Em Santa Helena de Viarén, Venezuela, o presidente Fernando Henrique afirmou ontem que fará todo o empenho para que os países do Pacto Andino (Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela) se integrem ao Mercosul. ‘‘Oxalá isso ocorra.’’ Pouco antes, FHC ouviu do presidente da Venezuela, Rafael Caldera, apelos para que se empenhe em realizar a união de toda a América do Sul. Caldera, que deixará o governo no dia 4 de fevereiro de 99, disse que FHC tem ‘‘a inteligência e a juventude’’ necessárias para realizar a tarefa. FHC inaugurou o asfaltamento da rodovia que liga Manaus a Caracas (Venezuela), passando por Boa Vista (Roraima).

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