FHC responde de forma dura às críticas da CNBB
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segunda-feira, 14 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASíLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso, em nota oficial, deu ontem uma dura resposta às acusações contidas no texto Análise da Conjuntura Sócio-Econômico-Política Brasileira, produzido pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (Ibrades), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No trabalho, de 22 páginas, o governo é acusado de comprar votos de parlamentares para aprovar a emenda da reeleição, o que deixou o presidente particulamente aborrecido. A alegação de que houve corrupção ativa na votação do Congresso é falsa, desabonadora para o Congresso e insultuosa ao governo, afirma a nota da Presidência da República.
O governo, porém, teve o cuidado de esclarecer que as respostas eram dirigidas aos autores do documento - os senhores Ivo Lesbaupin e Antônio Abreu -, e não aos bispos da Igreja. Com o avanço da democracia, com a imprensa livre, fica mal, muito mal, que documentos com tanta irresponsabilidade sejam tomados a sério, diz.
Na nota, o governo desafia os autores do documento a provar os casos de compra de votos e mostrar que as isenções fiscais, obras e anistias foram concedidas em troca de votos. Se há casos de barganha, é só ler o Diário Oficial e demandar à Justiça, continua. Respondeu também às críticas feitas ao programa de socorro aos bancos, o Proer, e aos obstáculos para que a oposição investigue o sistema financeiro. O Proer é transparente, presta contas ao Congresso, salvou os recursos dos depositantes e não dos banqueiros, argumenta. Trata-se de empréstimo feito com o dinheiro do próprio sistema financeiro (e não do Tesouro se não em parte relativamente pequena para compensar diferencial de juros) e está retornando ao Banco Central.
O texto produzido pelo Ibrades foi discutido no sábado pelos 290 bispos da CNBB que participavam da 35ª Assembléia Geral da Conferência em Itaici, interior de São Paulo. A resposta do Palácio do Planalto só foi divulgada no início da noite de ontem. Além de acusar o governo de corrupção ativa e de afirmar que são inescrupulosas as relações com o Congresso, o texto afirma que o uso abusivo de medidas provisórias põe em risco a democracia no Brasil e se assemelha ao uso de decretos-lei na época do regime militar.
O governo dedica a maior parte da resposta para mostrar os avanços na área social e classifica de tendenciosos os dados sobre salário mínimo contidos no documento discutido pelos bispos. Segundo o Palácio do Planalto, em dois anos o salário mínimo quase dobrou com o Real.
A nota do governo rejeita também a afirmação de que o desemprego esteja aumentando de maneira significativa e cita o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a desapropriação de 3,4 milhões de hectares para fins de reforma agrária que corresponde ao tamanho de uma Bélgica e a aprovação do novo Imposto Territorial Rural (ITR) como feitos na área da agricultura.


