FHC repudia pedidos e cancela reuniões
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domingo, 07 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
Irritado com as condições impostas pelos governadores de oposição na Carta de Porto Alegre, documento emitido na sexa-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu suspender todas as audiências marcadas a partir de amanhã com governadores da oposição, no Palácio da Alvorada, em Brasília, quando receberia 16 dos 27 governadores.
Antes de anunciar a medida, o presidente divulgou uma nota oficial, por meio de seu porta-voz, embaixador Sérgio Amaral, repudiando a divulgação antecipada e pública dos temas do encontro, apontados na Carta de Porto Alegre. Ele também lamentou que os governadores oposicionsitas insistissem em propor como agenda exclusiva a renegociação das dívidas dos Estados.
O governo federal já disse e reitera que não pode solicitar aos contribuintes um sacrifício adicional, porque alguns não se mostram dispostos a fazer o esforço que todos, União, Estados e municípios, deveriam realizar de modo compartilhado, para pôr suas contas em ordem, preservar os ganhos do real e impedir a volta da inflação, afirma na carta.
O presidente continua aberto ao diálogo, mas o encontro só se justificaria se movido por um genuíno espírito de entendimento, disse Amaral. Não se pode aceitar a tentativa de corroer as bases de sustentação do Plano Real, conquista do povo brasileiro, a qualquer pretexto. Fernando Henrique encerrou a nota afirmando que o País espera de cada um a coragem para assumir responsabilidade, e não um manifesto político.
Também para o secretário de Assuntos Federativos da Presidência, José Abraão, ao estabelecer as condições na Carta de Porto Alegre, os governadores optaram pelo confronto, e não pela busca de soluções. São propostas absurdas e inaceitáveis que mais parecem um pedido indireto de cancelamento da audiência, atacou o secretário. A União não cria dinheiro, não tem bolso: o bolso é do povo, acrescentou Abraão, ao referir-se ao pedido dos governadores para que o pagamento de dívidas não comprometa mais de 5% arrecadação.
Para Abraão, a carta distancia os governadores de oposição do presidente. Responsável pelo trabalho de articulação dos encontros entre o presidente e os governadores - tanto da base aliada, quanto da oposição - Abraão também não escondia a irritação com a decisão dos governadores em antecipar publicamente o diálogo. Ele lembrou que o presidente havia cedido ao desejo dos governadores de oposição de serem recebidos em grupo, mesmo entendendo que cada Estado necessita de análise caso a caso.
Depois de todo o empenho do presidente, fica claro que, desde o início, a intenção era outra: usar a realidade de dificuldades que atinge os Estados e o País para fazer política, criticou.
O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse ter ficado chocado com a decisão de Fernando Henrique. Pedimos ao presidente apenas um cessar-fogo; nossa idéia não foi de precipitar nada, mas apenas apresentar propostas concretas para o entendimento, declarou.
Na opinião de Lessa, o que irritou o presidente Fernando Henrique foi o fato de os governadores terem pedido para que ele anunciasse o fim das retaliações contra os Estados. Não demos um ultimato, afirmou. Se há vontade de negociar, o que pedimos foi só um gesto do presidente, uma declaração clara de boa vontade.
Para o governador do Amapá, João Capiberibe (PSB), a suspensão das audiências foi mais um ato de intolerância do presidente, tal qual foi feito com o bloqueio das contas do Rio Grande do Sul e de Minas.


