Ao cobrar ontem a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que não negociará mais modificações na proposta. ‘‘Já cedemos tudo o que era possível ceder’’, afirmou durante reunião realizada no Planalto. ‘‘Mais do que isso seria desfigurar a reforma; não podemos fazer de conta que reformamos. Além dos ministros e líderes no Congresso, compareceram ao encontro o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB-SP), e o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Na ocasião, o presidente lembrou o trabalho do ex-líder na Câmara Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) e do ex-ministro Sérgio Motta, falecidos na semana passada, para a aprovação das reformas.
ACM falou logo depois de Fernando Henrique e estendeu o pedido de votação da reforma aos parlamentares de oposição. ‘‘A morte não vencerá Luís Eduardo, eu tenho certeza, porque os parlamentares, companheiros, amigos, vão levar em frente seus ideais’’, disse. Aos que fazem a mais ‘‘ferrenha’’ oposição ao governo, ACM pediu que meditem nos ideais defendidos pelo filho e aprovem as reformas. ‘‘Pelo Brasil é que eu peço.’
Segundo o senador, Luís Eduardo aguardava apenas a aprovação das reformas para deixar a liderança do governo e se dedicar à sua campanha ao governo do Bahia. ‘‘Eu gostaria, senhor presidente, de dizer mais uma vez, que se Luís Eduardo não lhe faltou, ele mesmo desaparecido não faltará, porque nós vamos lutar para ajudá-lo na sua tarefa em benefício do Brasil’’, disse, sendo aplaudido pelos ministros, parlamentares e governadores presentes à reunião.
Números Para reforçar a necessidade de votar a reforma da Previdência, Fernando Henrique citou o gasto mensal da União - R$ 1,7 milhão - com o pagamento de 900 mil aposentados e pensionistas da União e os comparou aos R$ 3,9 bilhões gastos para pagar 18 milhões de pensionistas do INSS. ‘‘Em média, cada aposentado ou pensionista custa ao País o equivalente a 8,6 beneficiários do setor privado’’, declarou o presidente. ‘‘O povo, por meio de impostos, paga a 900 mil pessoas o equivalente a todo o gasto Federal com a Saúde para atender 100 milhões de brasileiros.’
O presidente leu o discurso e apenas improvisou para citar uma pesquisa, divulgada na segunda-feira, que aponta o desejo de 77% dos brasileiros para que o governo dê prioridade às reformas, em especial à da Previdência. ‘‘Como presidente e em nome de nossos ideais comuns, eu convoco os partidos que dão sustentação às mudanças no Brasil a uma ação rápida, firme e decidida, para que possamos avançar mais na direção de um futuro de prosperidade.’ Garantiu que as privatizações serão mantidas, ‘‘na plena vigência da moral pública e do interesse nacional’’.
‘‘O País não suporta mais adiamentos, nem conseguirá financiar, por muito tempo, os déficits crescentes’’, avisou o presidente. ‘‘É chegada a hora em que, não só o presidente da República, mas o Brasil, precisam saber, de uma vez por todas quem está a favor e quem está contra a modernização do País.’
Coordenação Fernando Henrique assumiu a tarefa de coordenar a articulação política para a aprovação dos destaques da emenda na Câmara hoje. No discurso, lembrou que Motta e Luís Eduardo ‘‘se irmanaram’’ no ideal de reformar as instituições e lutar pela decência pública no Brasil e que, ‘‘sem exagero, deram suas vidas’’ por este ideal.
O governador Jaime Lerner também esteve na reunião convocada pelo presidente. ‘‘O encontro foi marcado por muita emoção’’. Para ele, o pedido do presidente Fernando Henrique ‘‘será correspondido’’. ‘‘Todos nós entendemos como necessárias as reformas em discussão no Congresso’’, afirmou. A nota enviada pelo Palácio Iguaçu ontem afirma ainda que no entendimento de Lerner, ‘‘esse é um momento de superar as diferenças políticas que possam existir para uma ação comum a favor do Brasil’’.

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