Clarissa Thomé Agência Estado
Do Rio
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem no Rio de Janeiro ser contra a atuação do Exército no patrulhamento das ruas da capital. ‘‘Exército não é Polícia, ele coopera quando necessário, mas não tem essa função’’, afirmou FHC, que esteve ontem participando da cerimônia de assinatura de contratos da Agência Nacional de Petróleo com empresas privadas. ‘‘Não recebi nenhum pedido nesse sentido do governo do Rio.’’
A afirmativa do presidente contraria o prefeito Luiz Paulo Conde, que desde o início da semana defende a ampliação das atribuições das Forças Armadas. A declaração do prefeito foi considerada ‘‘politiqueira’’ pelo governador Anthony Garotinho (PDT), que ontem não quis comentar o assunto. ‘‘O prefeito disse que suas declarações foram mal interpretadas pela imprensa e estou satisfeito com sua resposta’’, afirmou Garotinho.
Conde tem enviado ofícios a Garotinho, desde o início do ano, pedindo a intervenção da Polícia Militar em favelas em que obras da prefeitura foram interrompidas por ordem do tráfico. ‘‘É melhor fazer obra acompanhado de soldados do Exército do que acompanhado de traficantes’’, disse o prefeito.
Ontem, o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, disse que a Polícia Militar vai garantir a continuação das obras. ‘‘Não existem redutos nesse Estado onde a Polícia não possa entrar e a cada ação desses grupos criminosos vamos responder com dez, cem, mil ações’’, afirmou. ‘‘O poder tem de estar na mão do governo’’. Nos últimos dois meses, o trabalho da prefeitura foi interrompido em oito favelas.
Ainda no Rio, FHC elogiou o Legislativo, depois de provocar uma crise política ao criticar a lentidão do Congresso da vez anterior em que esteve na cidade, há 13 dias. ‘‘As reformas nunca pararam no Congresso’’, afirmou o presidente, após a solenidade de assinatura de contratos para exploração de petróleo e gás em áreas leiloadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
‘‘Não houve paralisação’’, disse Fernando Henrique. No dia 13, ele havia reclamado, em discurso na abertura da 37ª Convenção dos Supermercados, no Riocentro, na zona oeste, da ‘‘indecisão de quem não vota’’ e da demora de quatro anos para ‘‘aprovar o óbvio’’.
Depois de ser criticado pelos presidentes do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o presidente admitiu, em outro discurso, que errou – para mais tarde, por meio do porta-voz Georges LamaziSre, negar que tivesse se retratado das declarações.
Ontem, o presidente rejeitou a idéia de que as reformas tenham sido interrompidas pela disputa entre o PMDB e PFL pela relatoria dos projetos do Plano Plurianual. ‘‘O foco ficou maior em função da disputa pela relatoria do PPA, mas isso não quer dizer que o Congresso tenha deixado de votar e vai continuar votando’’.
FHC disse não ter dúvida de que o Legislativo vá votar em outubro a Lei da Responsabilidade Fiscal, além de ‘‘duas ou três leis da Previdência’’. Ele também previu no próximo mês avanços na reforma tributária.Presidente diz que função da força não é de polícia e decepciona prefeito, que quer apoio contra traficantes que impedem obras
Agência BrasilFHC, durante sua estada ontem no Rio para assinatura de contratos: ‘‘Não recebi nenhum pedido’’ para liberar Exército

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