FHC rege os presidenciáveis do PSDB
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de novembro de 2001
Ariosto Teixeira<br>Agência Estado - De Brasília 
Há algum tempo, quando o movimento dos presidenciáveis do PSDB parecia convergir para uma polarização entre o ministro da Saúde, José Serra, e o governador do Ceará, Tasso Jereissati, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, fez uma pergunta indireta enquanto almoçava com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no palácio da Alvorada: ''Então agora é Fla x Flu?'' O ministro desejava saber se deveria desativar suas pretensões presidenciais uma vez que as opções estariam limitadas a Serra e Jereissati. ''Não'', respondeu o presidente. ''Você continua no jogo.''
Dias depois, Fernando Henrique incorporou um outro personagem à galeria de pretendentes tucanos ao seu lugar e convidou o presidente da Câmara, Aécio Neves, a acompanhá-lo na sua viagem a Washington e Nova York. Depois de ouvir o presidente no discurso de abertura dos trabalhos da ONU, Aécio seguiu para uma viagem pessoal à Itália. O nome do neto de Tancredo Neves não pode mais agora deixar de ser mencionado entre as opções de escolha do PSDB.
Os dois episódios evidenciam um fato: Fernando Henrique é o centro das articulações e do comando do processo de sua sucessão. Isso não significa que se deva esperar dele que tire do bolso do colete, como insinuou Jereissati, o nome que irá apoiar na campanha de 2002. Mas que ele é o senhor do tempo dessa definição e que, por enquanto, prefere embaralhar o jogo sucessório para ver se da quantidade consegue extrair o candidato com qualidades para vencer a disputa.
Um fato é certo, dizem fontes governistas. O presidente não deixará que a definição se dê antes que os sinais de recuperação da imagem do governo sejam mais consistentes e que se produza o ambiente de expectativas otimistas que ele tenta preparar para a fase final do seu governo. Ele apontará seu eleito a tempo de produzir-se em torno dele a agitação política e de marketing necessária para aumentar a sua competitividade eleitoral.
É por isso que tanto o presidente quanto seus ministros políticos insistem que não se deve esperar nada de concreto nessa matéria antes do Carnaval e que o mês-chave para isso será março. Até lá, dizem, Fernando Henrique evita que o centro das atenções passe a ser o candidato governista, o que enfraqueceria politicamente o seu governo. Mais importante ainda, acrescentam, o presidente se manterá no centro das articulações com alta probabilidade de se fortalecer como o principal eleitor de 2002.
A expectativa do presidente é de que esse processo se desenvolva em um cenário econômico melhor e mais otimista, conforme o discurso que passou a fazer desde a mudança de ministros que promoveu quarta-feira passada.


