FHC recorre a crise das ações para pressionar deputados
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Agência Folha Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso começou ontem a ofensiva na Câmara para tentar aprovar a emenda de reforma administrativa. Em acerto com FHC, o líder do PSDB, Aécio Neves (MG), ocupou a tribuna para assustar os congressistas contrários à reforma. A pedido de FHC, Aécio afirmou que a estabilidade do Brasil, depois da crise provocada pela queda das Bolsas de Valores, depende da aprovação das reformas constitucionais.
O Brasil precisa dar sinais claros à comunidade internacional de que está cumprindo um calendário de reformas. Sinalizar ao mundo que o Brasil resistiu a esse baque e continua firme no propósito de reformas, disse Aécio. Para tentar convencer os deputados, o governo vai usar o argumento de que, no momento, a situação econômica brasileira não é alarmante, mas não há como prever o futuro da crise internacional provocada pela queda das bolsas.
Na próxima terça-feira, FHC vai reunir os líderes dos partidos aliados - PFL, PMDB, PSDB, PPB e PTB - para acertar o discurso e fazer o primeiro levantamento de votos. O argumento de uma situação internacional grave também será usado na tentativa de neutralizar a oposição. Nessa hora o que importa é o país, disse Aécio, orientado pelo presidente.
Na reunião, os líderes vão pedir uma solução para a questão da liberação dos recursos destinados pelos parlamentares, por meio de emendas ao Orçamento, aos municípios. O dinheiro foi liberado com cortes, provocando uma rebelião na base de sustentação de FHC.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pode adiar em uma semana a votação da emenda, inicialmente marcada para o próximo dia 12, se for preciso dar tempo para a base governista conseguir os votos necessários para a aprovação da emenda - 308 do total de 513 deputados.
O PSDB vai ajudar o presidente Fernando Henrique Cardoso a acelerar o debate da reforma política na tentativa de votar pelo menos um item da proposta este ano: a fidelidade partidária. A articulação vem embalada pelo congelamento do quadro partidário pelos próximos 365 dias, uma vez que a lei eleitoral proíbe os candidatos às eleições gerais de 1998 de trocar de legenda. É por isto que o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), aposta no apoio dos partidos aliados para garantir logo a fidelidade.
O presidente antecipou que a revisão do sistema político eleitoral será o primeiro item da pauta de seu segundo mandato, caso seja vitorioso na disputa pela reeleição. Diante do anúncio presidencial, o PSDB marcou até data para a demonstração de sintonia entre o presidente e o partido. No Congresso Nacional do PSDB, dia 22, a reforma política será apontada como prioridade absoluta do partido e bandeira da campanha eleitoral dos tucanos.


