O presidente Fernando Henrique Cardoso agradeceu ontem ao presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, pelo ‘‘empenho do governo americano nos momentos mais difíceis’’ da recente crise financeira brasileira e atualizou o líder americano sobre a evolução da economia brasileira. O encontro dois dois presidentes, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, durou cerca de uma hora, 20 minutos dos quais sem a presença de assessores.
De acordo com o relato de Fernando Henrique, a situação econômica do Brasil foi o principal assunto da conversa, da qual participaram os secretários do Tesouro, Robert Rubin, e de Estado dos EUA, Madeleine Albright, o ministros das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampréia, e o embaixador Paulo de Tarso Flecha de Lima, que deixará Washington este mês. ‘‘Falamos, em particular, do que está acontecendo no Brasil depois da crise econômica e os esforços que estamos fazendo para superar as dificuldades, que já estão sendo resolvidas’’, informou o presidente.
Sem fornecer detalhes, Fernando Henrique disse que os dois líderes discutiram também a questão de Kosovo. Antes do encontro, Lampréia disse que FHC expressaria ‘‘a inconformidade’’ do Brasil com a exclusão do Conselho de Segurança das Nações Unidas do processo de decisão da Aliança Atlântica que levou aos bombardeios no Kosovo.
O encontro com Clinton foi o último compromisso do presidente brasileiro na capital americana, depois de um dia cheio, no qual fez duas apresentações a empresários, visitou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e teve um encontro separado com Rubin. Da Casa Branca, Fernando Henrique foi para a Base Áerea de Andrews, de onde voou no Boeing presidencial para Nova York, onde teria um jantar com banqueiros. Ele retorna hoje ao Brasil.
Uma parte do diálogo entre os dois presidentes foi sobre negociações comerciais. Mas, a julgar pelo relato de Fernando Henrique, não houve progressos significativos em relação à demanda brasileira de um acordo para encerrar ações comerciais contra produtos siderúrgicos brasileiros nos EUA. ‘‘Mostrei a ele a nossa preocupação com essa questão e senti que há uma disposição de analisar’’, disse o presidente. ‘‘A nossa participação no mercado de aço americano é muito pequena... e os ministros dos dois países vão analisar o assunto.’’
Mas, refletindo provavelmente a explicação que ouviu de Clinton sobre a dificuldade política que a administração americana enfrenta para negociar com o Brasil um acordo suspensivo de ações protecionistas, semelhante ao que os EUA negociaram recentemente com a Rússia, Fernando Henrique afirmou que ‘‘o Congresso americano (que quer a proteção do mercado siderúgico) também está muito ativo’’ nessa questão.

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