Wilson Silveira
Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique acusou ontem o MST (Movimento dos Sem Terra) de lidar com questões sociais de forma ‘‘oportunista e impatriótica’’. A afirmação é feita a pouco mais de uma semana da chegada a Brasília de marcha organizada pelos sem-terra (marcada para o próximo dia 26) e no momento em que o governo discute projeto de renegociação da dívida dos agricultores.
Sem citar nominalmente o MST ou a marcha, o presidente disse que ‘‘não cessam os movimentos para dar a ilusão de que a ação pública não se faz presente, de que, sem invasões descabidas, até mesmo ocupando terras produtivas, não haveria reforma agrária’’. ‘‘Como se a reforma agrária não fosse um curso democrático da sociedade brasileira, que dispensa o atropelo dos direitos de propriedade daqueles que estão produzindo.’’ O presidente fez as afirmações ao discursar na solenidade de apresentação dos novos oficiais generais das Forças Armadas.
Líderes do MST que participaram de reunião ontem com o ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) disseram ter estranhado a referência ao movimento feita por FHC. Segundo Jaime Amorim, líder do MST em Pernambuco, ‘‘antipatriota é ele (FHC), que tem privatizado e entregue o País’’. ‘‘Estamos querendo o melhor para o País. Quem defende essa pátria somos nós. Quem está fazendo o povo passar fome é ele’’, disse Amorim.
‘‘E, a despeito desse esforço continuado, e esforço que se faz dentro da Constituição e da lei, existem ainda os que teimam em confundir alhos com bugalhos e, adotando muitas vezes motivações que correspondem a causas justas, ultrapassam o limite da lei e transformam as agendas sociais em verdadeiros atos de provocação política’’, afirmou. O ministro-chefe da Casa Militar da Presidência, general Alberto Cardoso, disse que o alvo do discurso de FHC não era a marcha, mas as invasões de terras produtivas.
Segundo o general Cardoso, o presidente determinou que seja dado todo o apoio e segurança aos manifestantes do dia 26. ‘‘O governo está sempre disposto a apoiar tudo que for feito democraticamente’’, afirmou ele. Segundo o general, o governo espera que a manifestação seja pacífica e que transcorra sem incidentes.

mockup