O presidente Fernando Henrique Cardoso respondeu ontem a críticas que vem recebendo de candidatos às prefeituras. ‘‘É fácil mudar o País em discurso de palanque’’, reclamou, durante entrega do prêmio, em Brasília, de incentivo à educação fundamental, concedido a 15 professores de 1ª a 4ª série, no Palácio da Alvorada. ‘‘Em campanha eleitoral, então, mudam assim, toda a hora.’’ O presidente defendeu a continuidade dos projetos do governo. ‘‘Pouco a pouco as coisas estão melhorando, falta muito, mas estão melhorando’’, reafirmou Fernando Henrique.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse que as críticas do presidente se dirigiam aos partidos de oposição. ‘‘É fácil subir no palanque, fazer promessas e criticar tudo’’, reforçou o ministro tucano. Citando o caso da educação, Fernando Henrique afirmou que muitos progressos obtidos em sua gestão não são reconhecidos e que o governo às vezes faz ‘‘menos barulho que o necessário para mostrar o quanto as mudanças ocorreram.’’
Como exemplo da falta de reconhecimento de iniciativas do governo federal, o presidente citou o Programa Nacional de Renda Mínima, que repassa recursos a famílias cujos filhos de 7 a 14 anos estejam matriculados em turmas de 1ª a 8ª série. ‘‘Todo mundo fala de bolsa-escola’’, disse Fernando Henrique, perguntando, a seguir, se alguém sabia quantas famílias eram atendidas pelo programa do MEC. ‘‘São 2 milhões de bolsas-escola’’, respondeu o presidente, lembrando que o projeto foi inicialmente desenvolvido em Campinas e aplicado em Brasília, onde se transformou numa das bandeiras do ex-governador Cristovão Buarque (PT).
Fernando Henrique, no entanto, não fez referência ao político brasiliense, que tem viajado pelo mundo disseminando a idéia da bolsa-escola. ‘‘Se houve uma área em que o Brasil mudou, nesses últimos anos, foi na educação’’, concluiu o presidente. ‘‘Não estamos fazendo porque queremos ter, nós próprios, medalhas’’, disse.