FHC rechaça acusações de Sarney
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terça-feira, 26 de março de 2002
Raquel Ulhôa Agência Folha 
Brasília - Quase uma semana após o discurso do senador José Sarney (PMDB-AP) no plenário do Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu ontem aos ataques do pai da governadora Roseana Sarney (MA), pré-candidata do PFL à Presidência.
Sarney subiu à tribuna na quarta-feira da semana passada para denunciar que a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na empresa Lunus, de propriedade de Roseana e seu marido, Jorge Murad, foi uma armação de setores do governo para desestabilizar a candidatura de sua filha.
A resposta de FHC foi dada por intermédio de carta ao líder do governo no Senado, Artur da Távola (PSDB-RJ), lida também no plenário da Casa. O próprio presidente reconhece que a carta foi enviada com certo atraso.
FHC negou um episódio relatado por Sarney no discurso, com base em declarações dadas à imprensa pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ACM disse que em 1994 ele e seu filho Luis Eduardo Magalhães, deputado morto em abril de 98, viram o então candidato a presidente FHC receber do ex-senador José Eduardo Andrade Vieira a quantia de R$ 5 milhões como contribuição à sua pré-campanha.
Tenho a certeza de que, vivo estivesse Luis Eduardo, veraz como era, avivaria a memória do pai, pois nem ele, Luis Eduardo, que então se atinha aos aspectos políticos da campanha, nem seu pai, que à época, governador da Bahia, mantinha relações cerimoniosas comigo, participaram de encontros relativos à obtenção de recursos para a campanha, afirmou FHC.
Na carta lida hoje no Senado, o presidente também negou ter influenciado a designação da diretoria da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) ou ter sido beneficiado por atos daquela empresa quando era senador. Em seu discurso, Sarney lembrou um inquérito aberto na Cosipa, no qual procurou-se envolver o então senador Fernando Henrique Cardoso, porque teria indicado diretores da companhia.
Na carta, FHC elogiou o discurso feito por Távola na semana passada defendendo o governo. FHC disse ter gostado da correção com a qual foi tratado o senador Sarney, não só como pai magoado, escritor imaginoso e admirado, homem hoje preocupado com a democracia.
O presidente repeliu as insinuações feitas pelo senador de que a democracia está ameaçada, incluindo-se entre os responsáveis pela estabilidade democrática. Graças a Deus, por esforço nosso e prática de toda a vida de muitos de nós, a democracia está enraizada no Brasil e não sofrerá abalos fora da imaginação.


