A expectativa em torno dos desdobramentos da crise financeira internacional está condicionando a ação política do governo e seus aliados. O presidente Fernando Henrique Cardoso já recebeu o estímulo dos presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para solicitar um pacto institucional em defesa da moeda e de novas reformas do Estado. A proposta só vai adiante se o presidente for reeleito em primeiro turno e o PMDB e o PFL garantirem a manutenção de Temer e ACM nos cargos, para os quais têm mandato até fevereiro.
O nó das articulações está no próprio governo. Entre os políticos e mesmo dentro do ministério ainda não se sabe se o presidente terá condições de manter as atuais políticas cambial e monetária ou buscar um modelo alternativo, depois das eleições.
Na área política, especula-se sobre a possibilidade de uma composição entre a equipe comandada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e setores que hoje são representados pelo ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros e, no passado, pelo da Saúde, José Serra. Composição ou rompimento dependem ainda de desdobramentos no cenário econômico, principalmente da possibilidade de um socorro internacional, acenado pelo FMI e pelos EUA.
Só com o cenário mais definido será possível dar apoio ao governo no Congresso, como a votação, ainda este ano, de uma reforma tributária de emergência. ‘‘Se o governo pedir, podemos mobilizar os congressistas e os governadores logo depois de 4 de outubro’’, garante Michel Temer, referindo-se a conversas preliminares com o presidente e com ACM na semana passada.
Os limites desse pacto institucional também começam a ser definidos. Na área fiscal, por exemplo, será difícil avançar além das medidas anunciadas nos últimos dias. ‘‘Haverá queixas contra os cortes de emendas de parlamentares no Orçamento’’, admite Temer. ‘‘Podem ser contornadas, se não vier aumento de imposto’’.
O coordenador-geral da campanha de FHC à reeleição, Eduardo Jorge Caldas, disse ontem que a aceleração das reformas é uma prioridade para um eventual segundo mandato, independentemente do agravamento da crise. ‘‘O presidente sempre disse que depois da eleição daria continuidade às reformas’’, afirmou Jorge ao ser questionado sobre a possibilidade de se estabelecer o pacto em defesa da moeda e das reformas.
Mostrando-se cauteloso na abordagem do assunto, o coordenador economizou palavras ao comentar a possibilidade de aprovação de uma reforma tributária em três meses. ‘‘Se o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), está dizendo isso, ele é o político com mais cacife para fazer essa previsão.’’
Jorge não quis revelar o local onde o presidente realizará o comício de encerramento de sua campanha. ‘‘Será surpresa’’, afirmou. Na próxima sexta-feira, FHC irá a Manaus para um comício ao lado do governador Amazonino Mendes (PFL), que disputa a reeleição, do ex-governador Gilberto Mestrinho (PMDB), candidato ao Senado, e do secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto, rivais aliados nestas eleições.

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