Pouco entusiasmo marcou o ato promovido por três centrais sindicais para apoiar a candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, numa espécie de comício realizado ontem em Brasília, no Parlamundi da LBV (Legião da Boa Vontade). Além de um público menor que o esperado - a organização estimou entre 800 e 1.000 presentes, sendo que foram convidados 1.300 pessoas - houve tumulto e falta de sintonia nos discursos dos representantes da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), da Força Sindical e da SDS (Social Democracia Sindical).
Embora um locutor, com estilo de narrador de rodeios, insistisse em animar a platéia de aproximadamente 600 pessoas no auditório, o público não se entusiasmou com o discurso de 21 minutos de FHC, recheado de promessas. O presidente, apesar de parecer pouco à vontade no evento, disse que se sentia num reencontro ‘‘com amigos de décadas’’ que tinham muita coisa em comum. Fez críticas ao clientelismo político e a partidos de oposição afirmando que falava ‘‘com a autoridade de pessoa que levou a vida próximo dos trabalhadores’’.
FHC citou o PT e a CUT quatro vezes. Ele disse que a CUT se valeu de encontros com o presidente não para conversar sobre propostas de interesse dos trabalhadores, mas para dizer: ‘‘Não, ele não vai fazer nada!’’. Ele afirmou ainda que a CUT fez campanha contra o Plano Real. ‘‘O real é pesadelo’’, eles disseram, para depois se arrependerem.’’
Sobre o PT, o presidente afirmou que os petistas votaram contra o aumento dos professores do ensino básico. Aproveitou a deixa para afirmar que essa atitude se repetia entre os demais partidos de oposição, que apenas criticam as ações sociais do governo, mas não colaboram. ‘‘Com o social deles (oposição) eu não me preocupo, com o do povo, sim - porque ele sente e sofre. Com o social da demagogia, da retórica, da palavra fácil, do slogan, o social que vai ao Congresso e vota contra o aumento do salário dos professores, como o PT fez e toda a oposição fez, com isso eu não me preocupo!’’
As propostas das centrais ao candidato não foram consensuais. As três chegaram a pedir a revisão do fim das aposentadorias especiais e, até mesmo, a legalização dos cassinos para aumentar a criação de empregos.
Não houve convergência nem mesmo nas questões da área trabalhista. A Força Sindical quer o fim da contribuição sindical, mas pede a adoção de um período de transição. A proposta foi defendida pelo presidente interino da central, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
A CGT quer que os sindicatos participem mais das decisões do Executivo sobre o mercado de trabalho e defende a troca da contribuição compulsória pelo Fundo de Garantia da Ação Sindical.
O presidente da CGT, Enir Severino, criticou as propostas do ministro Edward Amadeo (Trabalho) para a criação de empregos. Ele sugeriu a suspensão temporária do contrato de trabalho e a redução do depósito do FGTS de 8% para 2% em troca da garantia do emprego.
O presidente da SDS, Enilson Simões, o Alemão, foi mais radical. Ele pediu a transposição das águas do Rio São Francisco, a legalização dos cassinos e a manutenção da Justiça do Trabalho.

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