Pacote de desenvolvimento contempla área social com 59,4% dos recursos e criação de 8,5 milhões de empregos


Tânia Monteiro, Sônia Silva e Isabel Braga
Agência Estado - De Brasília

Com um longo discurso de 50 minutos, como se ocupasse um palanque eleitoral, o presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou ontem as promessas de campanha e garantiu, até o fim do mandato, criar 8,5 milhões de empregos, não deixar nenhuma criança fora da escola, além de dar água aos milhões de brasileiros.
Fernando Henrique negou que o lançamento do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), que batizou de Avança Brasil, seja uma resposta à manifestação da oposição realizada na semana passada. ‘‘Esse trabalho vem sendo feito há muito tempo e não é uma improvisação’’, afirmou o presidente, ao lembrar que estava ‘‘dando resposta ao sentimento do Brasil’’. ‘‘É um ato de confiança no Brasil’’, prosseguiu. O presidente agradeceu e reafirmou o pedido ao Congresso de votar as reformas, estendendo este apelo até mesmo à oposição.
A empolgação do presidente não encontrou eco nos cerca de 800 convidados presentes à cerimônia, embora 7 mil convites tenham sido expedidos, 3 mil deles pelo Palácio do Planalto. Nem mesmo as palmas fortes de um homem que se diz presidente da Federação das Associações de Favelas do Rio, Roberval Uzêda, conseguiram contagiar a platéia. Ele ocupava uma das cadeiras destinadas aos empresários que o presidente esperava receber na cerimônia, como uma demonstração de que apoiarão os projetos do governo, mas que não apareceram. Quasse todos os ministros estiveram na solenidade, além 12 governadores, altos funcionários do governo e políticos da base aliada.
Fernando Henrique respondeu ainda às críticas da oposição de que o governo não olha para o social, ao informar que o Avança Brasil destina 59,4% para o desenvolvimento da área. ‘‘Que não nos venham dizer que o governo não olha para o social, pois mais da metade do dispêndio é para a área social’’, acentuou o presidente, que passou a listar as realizações e ambições do governo e a apresentar novas promessas, que espera cumprir até o fim do segundo mandato.
Parafraseando o líder negro norte-americano Martin Luther King, que lutou contra o racismo, o presidente falou em tornar possível a realização de sonhos como colocar todas as crianças na escola e viver num país sem desemprego. ‘‘Vamos, sim, sonhar com uma sociedade que dê emprego a todos’’, conclamou o presidente. ‘‘Teremos de ter ambição e eu quero em 2003, quando deixar o governo, que todas as crianças brasileiras tenham lugar na escola’’, declarou, reconhecendo, no entanto, ser esta uma ‘‘batalha dura e difícil’’.

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