Isabel Braga
Agência Estado
De Brasília
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, continua no cargo, segundo o governo, para liderar a condução da política econômica do governo de crescimento ‘‘com responsabilidade’’. Numa autêntica operação segura-Malan, o presidente Fernando Henrique convocou o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, para transmitir o recado. Parente qualificou de ‘‘irrelevantes’’ as opiniões do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros sobre a condução da política econômica, disse que o governo não vê ‘‘razões para alguns sinais de pessimismo nos mercados financeiros’’ e que fatos e declarações devem ser vistos em sua ‘‘devida proporção’’.
A política econômica conduzida por Malan tem sido alvo de críticas, nos últimos dias, de vários aliados e dos principais caciques dos partidos políticos que apóiam o governo. Para FHC, declarações de aliados políticos, ‘‘normais numa democracia pluripartidária’’ e que ‘‘fazem parte do jogo político’’, ‘‘estão sendo levadas numa proporção muito acima daquilo que seria razoável em função da sua substância e das pessoas que emitem essas opiniões. Nós já estamos em crescimento sem qualquer ameaça às nossas metas de inflação’’, disse Parente.
Parente amenizou as críticas feitas pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). De acordo com o ministro, o senador deixou claro na reunião que teve com ele e o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, anteontem, que sua crítica a Malan era ‘‘pontual’’. ‘‘Ele (ACM) manifestou mais uma vez seu apoio à linha geral de condução da política do governo e deixou muito patente que a questão que levantou em relação ao ministro Malan é uma questão pontual, que diz respeito à forma como o problema relevante - que é o problema da pobreza - deveria ser conduzido’’, disse o ministro Pedro Parente.
Por interlocutores, Fernando Henrique vem reiterando seu apoio a Malan. As duas primeiras defesas foram feitas pelo porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre. Mas a alta do dólar, o nervosismo dos mercados financeiros e a desconfiança sobre a permanência do ministro no cargo levaram o presidente a buscar um interlocutor da área econômica.
‘‘O senhor presidente lembra que o ministro Pedro Malan está com o governo há seis anos, lidera a condução da equipe econômica e o faz com competência e elevado espírito público’’, disse Parente. ‘‘Portanto não existe qualquer possibilidade de que ele, o senhor presidente, venha a abrir mão de seus relevantes serviços.’’ Fernando Henrique chamou Parente anteontem à noite e determinou que ele transmitisse sua ‘‘mensagem pessoal’’ depois da reunião da Câmara de Política Econômica.
Ontem, a cúpula do PMDB pediu a Malan que afrouxe o controle da política econômica e facilite o crédito para pequenos e microempresários. O encontro com o ministro foi na residência oficial do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em um almoço de duas horas e meia. De acordo com os peemedebistas, Malan demonstrou ‘‘sensibilidade’’ aos pedidos. ‘‘Eu não digo que ele vá mudar, mas ele está sensível’’, afirmou Temer.Presidente mobilizou verdadeira operação segura-ministro, que tem sido alvo de críticas pela condução da política econômica
Arquivo FolhaGARANTIDOParente: ‘‘Não existe qualquer possibilidade de que ele, o senhor presidente, venha a abrir mão de seus relevantes serviços’’ (de Pedro Malan)

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