O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem, no Rio, que assim que a equipe econômica do governo perceber que o mercado internacional absorveu bem o novo colapso nas Bolsas de Valores da Coréia - que ocorreu esta semana - os juros no Brasil começarão a cair. Fernando Henrique voltou a dizer, repetindo o que já havia dito em Minas Gerais, na véspera, que por ele a taxas de juros já teriam baixado. ‘‘Ninguém sobe os juros por prazer’’, disse, depois de participar, na Escola Naval, da cerimônia de formatura de Guardas-Marinha. ‘‘A queda dos juros não depende de nós, depende da análise do sistema financeiro internacional’’, comentou.
Reafirmando que o governo está tomando medidas positivas para suportar o impacto da crise internacional, Fernando Henrique insistiu: ‘‘Certamente os juros vão cair’’. Mas preferiu não falar em prazos para a adoção da medida. ‘‘Não quero me antecipar porque, na semana passada, por exemplo, a situação da Coréia se agravou’’, disse, dando a entender que a queda dos juros já estava sendo estudada pela equipe econômica como uma medida imediata. ‘‘Não temos nada com essa situação (da Coréia) e acho que o mundo está percebendo que a situação econômica do Brasil é mais sólida’’, afirmou.
O presidente deixou claro que, com a manutenção do fluxo de recursos externos que continuam a chegar ao País e a absorção internacional à crise coreana, a situação no Brasil voltará aos níveis de outubro, antes do colapso das Bolsas. ‘‘Havendo isso, os juros caem’’, declarou. Sorridente e bem-humorado, Fernando Henrique disse estar otimista em relação a 98. ‘‘Estamos criando condições para que 98 seja melhor do que 97’’, disse, comentando que deve passar o réveillon no Rio.
O governo, segundo o presidente, vai se manter afastado das negociações entre sindicatos e empresas de diversos setores para redução de jornada de trabalho e de salários como meio de evitar demissões durante o período de desaquecimento econômico. ‘‘Sempre houve anseio da classe trabalhadora e dos sindicatos para que não houvesse interferência do governo nessas negociações’’, disse. ‘‘Por que eu iria interferir agora?’, indagou o presidente.
Fernando Henrique recorreu a um ditado popular para dizer que não cabe ao governo negociar, caso a caso, as alternativas empresariais para evitar o agravamento do desemprego. ‘‘Não vamos confundir alhos com bugalhos’’, disse, citando como exemplo de interferência governamental o apelo que fez às montadoras de veículos para que evitassem demissões em massa. ‘‘As montadoras já foram muito beneficiadas com programas especiais, que estão ainda em vigência no Brasil, e agora devem entender que não podem começar a dispensar na primeira dificuldade’’.
Quanto à convocação extraordinária do Congresso, Fernando Henrique disse que ainda não decidiu se a melhor data para votação das reformas será dia 6 ou 12 de janeiro. Ele confirmou que se reunirá na terça-feira com os presidentes da Câmara, Luiz Eduardo Magalhães, e do Senado, Antônio Carlos Magalhães, ambos do PFL, para definir o prazo de convocação. ‘‘Sei que há dificuldades de mobilização se a convocação for antecipada, mas precisamos contar tempo para aprovar as reformas’’, comentou, fazendo, novamente, elogios ao Congresso pela rapidez das últimas votações de itens da reforma constitucional.

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