Agência Folha
O presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu ontem, no encerramento da Cimeira do Rio, a seus colegas da União Européia, América Latina e Caribe, que estudem seriamente a introdução da ‘‘Tobin Tax’’ (Imposto Tobin, uma espécie de CPMF planetária) como ‘‘instrumento possivelmente útil para enfrentar as frequentes turbulências financeiras. A ‘‘Tobin Tax’’ é uma proposta do Nobel de Economia James Tobin para taxar os capitais que cruzam fronteiras, uma pilha de impressionante US$ 1,4 trilhão todos os dias.
O produto da taxação destinar-se-ia, na proposta original, a constituir um fundo para a erradicação da miséria no planeta. Mas, mais recentemente, passou-se a cogitar desse imposto como forma de acumular recursos para socorrer, imediatamente, países vítimas de crises financeiras, como as que derrubaram economias asiáticas primeiro, a Rússia depois e, por fim, o Brasil.
FHC disse que as novas modalidades de financiamento decididas pelas instituições financeiras internacionais, na esteira das crises recentes, são ‘‘necessárias mas insuficientes’’. FHC já havia defendido a ‘‘Tobin Tax’’ em outubro, durante a Cúpula Iberoamericana de Portugal, e, em seguida, no México.
Fernando Henrique não foi o único, nos debates fechados de ontem, a propor idéias de controle do capital especulativo. O presidente francês, Jacques Chirac, por exemplo, classificou de ‘‘muito perigosos os paraísos fiscais ‘‘off-shore’’ (as ilhotas que servem de plataforma para todo tipo de operações financeiras, legais ou não) e os chamados ‘‘hedge funds (fundos que protegem seus participantes da desvalorização de uma moeda com apostas em outros ativos, por exemplo).
FHC, durante o discurso de encerramento da Cúpula do Rio se disse, ‘‘do ponto de vista do espírito, alguém com uma formação cartesiana, com algum elemento de candomblé e de vodu (culto da América Central)’’. ‘‘Sem esses elementos não serei propriamente brasileiro e latino-americano’’, afirmou ele aos líderes latinos e europeus. Ao se definir como cartesiano, o presidente se referia a René Descartes (1596-1650), filósofo e matemático francês, um dos fundadores do racionalismo e criador do Método da Dúvida, com o qual esperava chegar a uma opinião ou crença que não estivesse sujeita à dúvida e construir o conhecimento a partir desse fundamento.

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