O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem dos deputados tucanos empenho na aprovação do parlamentarisno no País. Sua intenção é que o novo sistema de governo passe a vigorar a partir de 2006. O recado do presidente foi dado em entrevista concedida ao serviço de rádio da liderança do PSDB na Câmara, que começará a divulgar a mensagem a partir de hoje, em várias rádios do interior do Brasil. ‘‘O PSDB é parlamentarista e deveria discutir isso no Congresso, pelo menos para 2006’’, sustentou Fernando Henrique.
Na entrevista, o presidente confirma que teve a intenção de colocar no ‘‘Plano de Ação Governamental 2001-2002’’ a defesa do parlamentarismo. ‘‘Eu só não coloquei no plano a questão do parlamentarismo porque ele é um programa para um conjunto de partidos, e nem todos são parlamentaristas’’, justificou. Durante a elaboração do plano, em pelo menos uma das versões fez parte do texto um capítulo para a implementação do parlamentarismo.
Fernando Henrique destacou que a reforma política deveria ser eleita como prioridade do Congresso neste biênio. ‘‘O Congresso deveria aprovar sobretudo a reforma política; está na hora desta reforma’’, insistiu. O presidente citou como agenda para o Congresso a necessidade de concluir a reforma da previdência e o desafio de fazer a reforma tributária. Apesar de não ter colocado o parlamentarismo no seu plano de ação para os últimos dois anos de mandato, a defesa pública do presidente da mudança do sistema de governo para 2006 deve gerar um conflito dentro da base aliada, começando pelo próprio Palácio do Planalto. No ano passado, quando alguns tucanos defenderam a implementação do parlamentarismo, a principal reação partiu do discreto e silencioso vice-presidente Marco Maciel (PFL). Na ocasião, ele chegou a dizer que a mudança do sistema presidencialista era inconstitucional. O vice-presidente argumentou que a população brasileira rejeitou de forma expressiva o parlamentarismo, no plebiscito feito há oito anos, e que por isso não deveria ser retomado este tema.
Mas não é só no PFL que o presidente Fernando Henrique encontrará resistências. No PMDB, uma parcela significativa das lideranças também é contra o parlamentarismo. O debate do tema é visto por políticos não só do governo, mas também da oposição, como uma tentativa do PSDB de manter-se no comando do poder.
Em outro ponto da entrevista ao serviço de rádio da Liderança do PSDB na Câmara, Fernando Henrique voltou a pedir a união do PSDB. ‘‘O mais importante de tudo é a unidade do partido’’, disse o presidente. ‘‘E acho que o partido está unido.’’ Logo depois, o presidente reforçou o seu discurso de vitória do PSDB nas eleições de 2002. ‘‘O PSDB está cumprindo o seu programa em que sonhamos no passado, prometemos em duas campanhas - e estamos realizando - e vamos ganhar a terceira’’, disse Fernando Henrique.
O discurso de unidade partidária foi reforçado pelo presidente um dia depois do almoço no Palácio da Alvorada, quando ele reuniu a cúpula do partido, inclusive os pré-candidatos à sucessão de 2002. O encontro de quarta-feira serviu para o presidente impedir o crescimento do debate sobre as eleições do próximo ano e para reduzir o clima de mal-estar entre os próprios tucanos. Depois de colocar em prática sua estratégia para chegar ao Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, José Serra, entrou em confronto com outros dois caciques do partido: o governador do Ceará, Tasso Jereissati, e o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. É este um dos motivos por que Fernando Henrique vem insistindo na unidade partidária, nos três últimos dias.

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