FHC quer pressa na sindicância do BC
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sexta-feira, 23 de abril de 1999
Diana Fernandes Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso quer maior rapidez, dentro do possível e nos limites da legalidade, nas investigações conduzidas pela comissão de sindicância do Banco Central (BC), que abriu processo administrativo para apurar se houve vazamento de informações antes da mudança do regime cambial e irregularidade nas operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, durante a desvalorização do real. Se for comprovada, durante essas investigações, a necessidade de mudanças na estrutura interna e nos procedimentos do Banco Central, elas serão feitas, garante o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga.
Veiga confirmou que a orientação é se antecipar às conclusões da CPI dos Bancos, instalada no Senado, e adiantou que o governo não descarta a criação de novas regras para limitar o grau de alavancagem - a relação entre o patrimônio e as aplicações - das instituições financeiras.Não será preciso esperar conclusão da CPI para fazer aperfeiçoamentos, se a sindicância apurar que envolvidos em decisões econômicas agiram de forma incorreta, avisou o ministro.
O governo espera da sindicância interna do Banco Central respostas rápidas para as questões cruciais do caso dos bancos Marka e FonteCindam, que deram fôlego à CPI dos Bancos. A orientação é esclarecer se houve ou não vazamento de informações; se a decisão de socorrer os bancos foi tomada com dolo ou culpa, e, se houve alguma irregularidade na venda dos dólares ao banqueiro Salvatore Cacciola, que comprou a moeda americana por preço abaixo dos do mercado.
Segundo Veiga, as CPIs - do Sistema Financeiro e do Judiciário - estão instaladas e vão funcionar normalmente. O que o governo espera é que as investigações dos parlamentares ocorram dentro de um clima de justiça e equilíbrio, informou, referindo-se ao pensamento do presidente. O presidente está tranquilo com relação à CPI do Sistema Financeiro e quer que ela apure tudo com equilíbrio e justiça, frisou.
Veiga insistiu que o governo e o presidente Fernando Henrique Cardoso respeitam as CPIs do Senado. Não há nenhuma intenção de abafar qualquer investigação, garantiu. A expectativa é, efetivamente, que todas as suspeitas sejam investigadas e esclarecidas, acrescentou o ministro. Culpados, se houver, serão punidos, prometeu.


