FHC quer nova mentalidade para ministros e defende ''base moral''
William França Agência Folha
O presidente FHC defendeu ontem uma nova mentalidade para seus ministros e pediu que eles adotem uma gestão empreendedora. FHC disse que servidores públicos não podem mais ficar presos numa camisa-de-força de regras burocráticas em suas decisões. Defendendo a base moral, o presidente afirmou que essas mudanças conduzirão a um novo Estado.
FHC fez as declarações no lançamento do plano plurianual do governo. Não é possível mais que o gestor, público ou privado, seja preso numa camisa-de-força de regras burocráticas e que, depois, tenha que prestar contas dos crimes que não praticou, apenas porque (...) deixou de praticar uma formalidade.
A afirmação foi interpretada como sendo uma resposta de FHC ao Ministério Público Federal, que ontem entrou na Justiça Federal com ação de improbidade administrativa contra 14 pessoas, entre elas o ministro Pedro Parente (Orçamento e Gestão), anfitrião do evento de ontem, e o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, por causa do leilão da Telebrás.
Na continuidade da defesa de seus subordinados no caso das privatizações, FHC afirmou que questões que são, muitas vezes, meramente formais, produzem um desaguisado (confusão) nacional, como se o gestor tivesse utilizado aquela quebra de regras para benefício próprio e não para atender melhor ao sentido social do que ele estava fazendo.
FHC disse que não se pode pôr em discussão a base moral do Estado na prática, mas apenas na crítica. E também não podemos aceitar insinuações contra a base moral do Estado, de funcionários, gestores e dos que o governam, a menos que haja algo concreto. Aí sim, muito mais do que crítica, tem de haver o afastamento e a punição.
FHC disse que é preciso recuperar a dignidade do servidor público e que essa é uma condição necessária para o espírito moderno do Estado. E para que nós possamos afastar as teias do passado que, ao confundir alhos com bugalhos, nada mais fazem do que pretender impedir que haja uma transformação maior na estrutura do Estado.
Segundo FHC, os setores mais atrasados ainda pensam que governar é bater na mesa e dar um murro, porque estão pensando: Ah, é à moda antiga. Não é mais assim, disse. É lamentável que alguns confundam o projeto possível e bom para o Brasil com a defesa do passado. Subsídios, taxas de juros protetoras, reserva de mercado, Estado guarda-chuva, crítica ao Estado e lucros fáceis: essa época acabou, essa época acabou!, afirmou.





