FHC quer Lula como adversário em 2006
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de novembro de 2005
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - Sob o comando do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB realizou ontem a convenção nacional, em Brasília, ao lado dos partidos que formam o embrião da aliança que disputará a sucessão presidencial em oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além dos tucanos, participaram da festa dirigentes do PFL, PPS, PDT e PP legenda hoje, formalmente, na base de apoio do governo.
''Eu já ganhei de Lula duas vezes, e por maioria absoluta de votos'', disse Fernando Henrique, no discurso. ''Queremos que ele seja candidato outra vez para derrotá-lo. Vocês se lembram de como era o Brasil da inflação? Pois eles (os petistas) votaram contra o real que acabou com a inflação.''
Ele afirmou ainda que o PSDB não tem a ''arrogância'' de achar que vencerá a eleição sozinho: ''Sabemos que há momentos em que a sociedade encontra o rumo. Hoje, estão aqui o PFL, o PPS, o PP e o PDT. Estamos unidos, todos os que querem mudar o Brasil. Juntos, queremos mudar o Brasil. Vamos escolher quem vai representar o conjunto das forças que vão eleger o próximo presidente da República. Vamos fazê-lo com competência. Estamos unidos.''
Do PFL, compareceu o presidente nacional da sigla, senador Jorge Bornhausen (SC), o líder da agremiação no Senado, José Agripino Maia (RN), o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, senador Efraim Moraes (PB), e os senadores Antonio Carlos Magalhães (BA), César Borges (BA) e Rodolpho Tourinho (BA); do PPS, o deputado Raul Jungmann (PE); do PDT, o senador Osmar Dias (PR), e do PP, o presidente nacional, Pedro Corrêa (PE), e o deputado Ricardo Barros (PR). A senadora Patrícia Saboya (PSB-CE) também compareceu. Mas a presença de Patrícia não significa adesão às oposições e sim amizade ao novo presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Ela é da ala que dá apoio à gestão Lula.
Por enquanto, o partido tem quatro candidatos a disputar a sucessão do presidente. Deles, dois o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, José Serra são os favoritos. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também trabalha para ser o candidato e, hoje, FHC acrescentou mais um na lista, o próprio Jereissati. ''Nós estamos muito bem no jogo. Temos várias opções. Uma está aqui ao meu lado'', disse o ex-presidente, enquanto apontava para ele.
Jereissati disse que trabalha para consolidar uma chapa única de oposição ao PT. ''Nós já estamos em fase bem adiantada de conversações com o PFL e com o PDT. Estamos chamando o PPS para as negociações'', disse.


