BRASÍLIA - O novo ministro da Justiça poderá ser um jurista e não um parlamentar do PMDB como o presidente Fernando Henrique Cardoso acertara inicialmente com o partido. Segundo um líder governista, o presidente está ‘‘preocupadíssimo’’ com o desgaste no relacionamento entre o Executivo e o Judiciário e quer um jurista no comando da Justiça para ‘‘refazer a ponte’’.
Na tarde de quarta-feira, ao mesmo tempo em que a cúpula do PMDB devolvia ao presidente a prerrogativa de apontar nomes para os ministérios da Justiça e dos Transportes, o Palácio do Planalto dava início à sondagem política sobre o perfil do novo ministro. Até o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), está ajudando o governo a avaliar as consequências políticas da escolha de um ministro da Justiça fora das bancadas do PMDB na Câmara e Senado. ‘‘O Planalto quer um advogado de certo destaque no ministério, mesmo que não seja um parlamentar’’, confirmou ontem o senador peemedebista Ronaldo Cunha Lima (PB), um dos consultados pelo senador Antônio Carlos. Segundo Cunha Lima, a idéia do governo é encontrar um jurista ligado ao PMDB.
Mesmo que o escolhido não tenha ligações com o partido, não haverá protestos. O PMDB da Câmara e o do Senado estão dispostos a cumprir à risca o que seus cardeais disseram ao presidente e escreveram depois, numa ‘‘Carta à Nação’’. Todos sustentam que o presidente tem total liberdade para indicar nomes dentro ou fora dos quadros partidários, sem que isto altere a disposição do partido de continuar colaborando com o governo.
A liberdade dada ao presidente não facilita a vida de Fernando Henrique. Convencidos de que o Planalto adiava sucessivamente a escolha com a intenção de aprofundar as divisões internas no PMDB, deputados e senadores que disputavam o Ministério dos Transportes se uniram na desistência de apontar nomes e na disposição de pôr um ponto final na novela. ‘‘Se o governo nos hostilizar agora, só nos restará a união ao grupo dos ‘contra’ liderado por Paes (deputado Paes de Andrade, presidente do partido) para disputar o Planalto em 1998’’, disse um peemedebista.
Parlamentares do grupo do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do líder Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) afirmaram que os dois só assumiram a defesa pública dos nomes dos deputados Aloysio Nunes Ferreira (PMDB-SP) e Eliseu Padilha (PMDB-RS) para a Justiça e os Transportes, respectivamente, porque o próprio Fernando Henrique lhes dera sinal verde para isso.

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