Agência Estado
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Sob controleFHC e os deputados Pauderney Avelino e Roberto Pontes: controle dos cargos garante êxito nas articulações A prioridade do presidente Fernando Henrique Cardoso nas negociações da reforma ministerial de abril é evitar que os aliados marquem territórios no governo a ponto de se julgarem donos de ministérios no segundo mandato que ele espera extrair das urnas. ‘‘O presidente não quer que os partidos consolidem feudos no ministério’’, resume um interlocutor de Fernando Henrique.
Colaboradores do Palácio do Planalto afirmam que o chefe não tem pressa de definir os nomes dos substitutos dos ministros candidatos às eleições gerais de outubro. ‘‘A palavra de ordem é cautela, porque o presidente não quer perder o controle de nenhum centímetro da Esplanada dos Ministérios’’, explica um amigo de Fernando Henrique. Por este raciocínio, é essencial que ele escolha ministros que ele próprio possa movimentar depois, no caso de vitória da reeleição.
O convite ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), para que permaneça no posto e desista de se reeleger deputado, confirma a preocupação de Fernando Henrique. Padilha foi chamado a colaborar neste período pré-eleitoral com a promessa de continuar na equipe na eventualidade do segundo mandato, mas o chefe não confirmou o endereço de seu gabinete a partir de 1999. O compromisso não foi além do convite.
Se ficar, Padilha resolve um problema do PMDB, que tem três ministérios no governo. Mas o ministro vem repetindo que sairá candidato em 3 de abril, e nos bastidores já se fala no nome do ex-deputado Luiz Roberto Ponte (PMDB-RS) para substituí-lo. O PMDB tem dificuldades para emplacar um nome puramente técnico para o lugar de Padilha. É que, técnico por técnico, o secretário-executivo dos Transportes, José Luiz Portela, é o nome mais forte. O problema, é que se trata de um tucano e os peemedebistas não querem abrir espaço para o PSDB agora.
A cúpula do PSDB tem feito o discurso de solidariedade total ao Planalto. ‘‘Já disse ao presidente que não haverá indicações de seu partido e que ele está livre para fazer as substituições necessárias com nosso apoio antecipado’’, salienta o líder tucano na Câmara, Aécio Neves (MG). Mais do que generosidade com o chefe, o PSDB preocupa-se em não passar à opinião pública uma imagem de barganha e pressão sobre o presidente neste momento pré-eleitoral. ‘‘Nos reservamos para participar do projeto do novo governo’’, diz o líder.
A solidariedade do PSDB ao ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, soou como resistência à movimentação do próprio presidente para substituir o tucano gaúcho pelo senador paulista José Serra (PSDB). ‘‘Não há indicações nem restrições e também não aceitamos vetos de ninguém’’, afirma o líder Aécio, referindo-se às declarações do líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE). Na véspera, Inocêncio não só defendera Carlos Albuquerque como sugerira que Serra fosse ajudar o governador de São Paulo, Mário Covas, na campanha pela reeleição.
O comando do PSDB sabe que Serra só não será ministro da Saúde se não quiser. ‘‘Fernando Henrique já deixou claro que não tem lugar prá ele na equipe econômica’’, conta o interlocutor palaciano. Falta, agora, definir um financiamento definitivo para o setor, porque o senador recusa-se a comandar um ministério na dependência da boa vontade da área econômica na liberação de recursos.

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