WASHINGTON - O presidente Fernando Henrique Cardoso enviou carta ao seu colega dos Estados Unidos, Bill Clinton, propondo que, na visita do presidente americano ao Brasil, em maio, os dois acertem iniciativas bilaterais e regionais na área social. ‘‘A nossa preocupação, além das questões comerciais e do processo de integração na Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), é dar um sentido social às discussões’’, disse o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, depois de entregar a carta de Fernando Henrique à secretária de Estado, Madeleine Albright, com quem se reuniu no final da tarde da segunda-feira.
‘‘Os problemas da América Latina são basicamente de tipo social e não é razoável que os presidentes dos dois maiores países do continente se encontrem e não expressem forte preocupação com temas que são prioridades das políticas internas tanto do presidente Clinton quanto do presidente Cardoso’’, afirmou o chanceler. Lampreia disse que o trabalho de identificação de iniciativas para a cooperação bilateral e regional está apenas começando, mas indicou que a área da educação é, em princípio, a que mais se qualifica para programas conjuntos.
O gesto de Fernando Henrique abre o leque de temas da visita, com três objetivos. O primeiro é elevar a qualidade da agenda da visita que vinha sendo discutida entre o departamento de Estado e Itamaraty, que um diplomata brasilero classificou de ‘‘um varejão’’. Entre as propostas que Washington gostaria de ver Clinton anunciar em Brasília há, por exemplo, o empréstimo de um avião militar de transportes Hércules.
O segundo objetivo é usar a viagem para mostrar ao líder americano a dimensão social que está por trás da política de estabilização e reforma estrutural da economia, procurando, com isso, reduzir a pressão de Washington por uma aceleração da abertura econômica. A outra meta da proposta de Fernando Henrique é evitar que a passagem de Clinton pelo País seja dominada pelas discussões sobre comércio e o processo de criação da ALCA, tema de uma reunião que começará dias depois em Belo Horizonte e no qual o Brasil e os Estados Unidos ‘‘concordaram em discordar’’, segundo disse o próprio Lampreia após reuniões com vários membros de gabinete americano. Não se deve descartar, contudo, a hipótese de anúncio de pelo menos um importante entendimento bilateral na área econômica - um acordo tributário -, durante a visita de Clinton.

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