SALÁRIOS FHC quer desassociar mínimo do teto Presidente considera que saldo da semana foi positivo, apesar da polêmica com relação ao aumento do limite salarial dos servidores Arquivo FolhaDEPOISFernando Henrique: melhor é esperar para anunciar o novo mínimo Tânia Monteiro Agência Estado De Brasília Mesmo sabendo da insatisfação gerada em alguns setores e das críticas que sofreria pela decisão, o presidente Fernando Henrique Cardoso está aliviado por ter encerrado uma questão que o atormentava há um ano e meio: a definição do valor do teto salarial do funcionalismo público federal. Fernando Henrique, que está no Rio de Janeiro descansando com a família na Restinga da Marambaia, apesar dos desgastes sofridos com a pressão do teto de um lado e do salário mínimo do outro, acredita que o saldo da semana foi positivo porque está convencido de que qualquer decisão que tomasse geraria críticas. Agora, o presidente torce para que a semana do Carnaval sirva para amenizar as discussões sobre os dois temas. Ele espera também que, finalmente, consiga fazer o que tentou durante todo esse período, sem sucesso: dissociar aumento do mínimo do reajuste do teto salarial. Ele acredita que isso será possível porque durante toda essa semana ele estará fora do País. Do Rio de Janeiro, na terça-feira, Fernando Henrique embarca para Portugal onde fica até quinta- feira e no dia seguinte segue para Santiago do Chile, retornando ao Brasil apenas no domingo, dia 12. Mas Fernando Henrique sabe que o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), vai continuar pressionando para que ele anuncie o novo valor do mínimo o quanto antes e que vai lutar pelo maior índice possível. O presidente já foi avisado também de que o PMDB vai aumentar a carga para que o governo anuncie logo o reajuste. Os peemedebistas acham que o PFL está provocando um desgaste muito grande para o governo nessa discussão sobre o mínimo e que o presidente deveria anunciar o mais rápido possível o valor para encerrar esta questão. Neste ponto, os peemedebistas contam com o apoio dos tucanos. Durante a semana passada, além da pressão partidária pelo aumento do mínimo, o presidente teve de administrar uma disputa interna na Esplanada, entre os que defendem o fim dessa discussão imediatamente, anunciando o índice de reajuste e os que acham que esse assunto só deve ser definido no tempo adequado, ou seja, em meados de abril. Somente os ministros da área econômica e o do Trabalho querem adiar o problema. Os outros, particularmente os tucanos, pregam a definição já. Fernando Henrique, por enquanto, acha que tem de esperar um pouco mais para anunciar o mínimo. Por outro lado, o presidente faz questão de justificar que a sugestão do teto negociado foi apresentada pelo governo para se tentar evitar uma crise institucional. Neste caso, mais uma vez, auxiliares do presidente ficaram divididos. Uma parte deles achava que o governo deveria deixar os juízes fazerem greve para que eles mesmos se desgastassem perante à população. A tese era de que se o governo ceder a uma categoria – já que os magistrados assim estão se considerando – teria que ceder a todas as outras, o que é inviável. Outros, queriam que se evitasse o pior, com a definição do teto negociado. A solução encontrada acabou sendo alvo de críticas de todos os lados. O presidente não cansa de justificar que não haveria como conseguir aprovar uma emenda constitucional se cada lado não cedesse um pouco e por isso, preferiu assumir o ônus dessa decisão. Agora, ele pretende dar uma pausa na discussão desses temas durante os dez dias em que estará afastado de Brasília. Amanhã, quando retornar ao Planalto e deputados e senadores voltarem ao Congresso, Fernando Henrique espera que o assunto teto esteja definitivamente encerrado e que os parlamentares se convençam de que somente em final de abril o valor do mínimo deverá ser anunciado.

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