O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, durante o vôo de Brasília a Maputo, em Moçambique, que mandou prender o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto para recuperar os R$ 169 milhões desviados das obras do Fórum trabalhista de São Paulo enquanto é tempo. Segundo o vice-líder do governo na Câmara, Tarcísio Perondi (PMDB-RS), Fernando Henrique afirmou: ‘‘Mandei prender o juiz e recuperar o dinheiro enquanto é tempo, como foi no caso de Jorgina.’’
O presidente referia-se ao caso de Jorgina de Freitas, fraudadora do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O juiz tem prisão preventiva decretada e está foragido há cerca de três meses. A operação só foi montada agora, com a divulgação do envolvimento do ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira, que respingou no Palácio do Planalto.
Fernando Henrique está em Maputo para participar da 3ª Conferência dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Desde que chegou, evita fazer comentário sobre o envolvimento do assessor, com o qual trabalhou durante 15 anos. O presidente não quis nem mesmo confirmar ter dado a ordem de prisão para Santos Neto.
Diante da insistência dos jornalistas, o presidente limitou-se a pronunciar: ‘‘Boa noite e falo com vocês amanhã (hoje).’’ Os interlocutores do presidente confirmam a disposição de FHC em evitar, a qualquer custo, alimentar, nesta viagem oficial à África, o noticiário envolvendo Jorge. ‘‘Ele tem ministros e são eles quem devem falar’’, afirmou um interlocutor.
Amanhã, no entanto, está prevista a realização de uma entrevista coletiva, na qual, novamente, Fernando Henrique será abordado sobre o tema. Participam da coletiva os presidentes dos sete países que compõem a CPLP. Durante todo o dia de ontem, além de participar das discussões da conferência, Fernando Henrique manteve encontros bilaterais com chefes de Estado e representantes de organismos, além de conversas informais com os presidentes de Portugal e Cabo Verde.

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