FHC quer cruzada contra a impunidade
Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a CPI do Narcotráfico mostrou que o enraizamento do tráfico de drogas na sociedade brasileira é ainda maior do que o imaginado e atinge setores políticos e governos. Ele reconheceu que a população tem medo por causa da insegurança e defendeu uma verdadeira cruzada, um combate constante contra a impunidade.
Não há brasileiro, não há brasileira hoje que não tenha a preocupação, o medo por causa da segurança. Também não há o que não sinta revolta como eu sinto pela impunidade, pela dificuldade que existe para que se coloque na cadeia os que são responsáveis pela violência, disse.
O presidente chamou a imprensa e fez o pronunciamento depois de reunião de uma hora com 16 deputados da CPI do Narcotráfico, no Palácio do Planalto. Raramente o presidente faz, pessoalmente, avaliação pública de seus encontros no Palácio.
FHC elogiou indiretamente o trabalho da comissão. É evidente, e a CPI demonstrou isso claramente, que há um enraizamento muito maior do que qualquer um de nós poderia imaginar da questão do narcotráfico. Esse enraizamento alcança setores políticos, governamentais e setores de crime organizado.
Segundo ele, esse enraizamento, por sorte, não atingiu as altas esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A violência quase sempre está muito ligada à droga, e a droga ao narcotráfico. Isso vem crescendo e o País não suporta mais. É preciso tomar medidas eficazes para que se dê um basta nessa situação, disse.
FHC cobrou do Congresso a aprovação de projetos sobre segurança e citou medidas do governo sobre o assunto, como a lei de proteção a testemunhas e a criação da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e do Núcleo de Combate à Impunidade.
Ele defendeu o aprimoramento permanente das instituições que cuidam do assunto. Notadamente, a Polícia Federal, a Senad e, subsidiariamente, as Forças Armadas, pela questão do controle das fronteiras. O presidente Fernando Henrique também pregou uma ação enérgica contra o crime organizado. Se nós não tivermos uma ação enérgica, nós vamos assistir no Brasil um crescimento dessas zonas de violência, que são incompatíveis com um País que se quer democrático.
Segundo deputados que participaram do encontro, FHC afirmou que o narcotráfico é a questão central da segurança nacional. Na reunião, de acordo com os os deputados, o presidente afirmou que a CPI do Narcotráfico é a mais consequente entre as comissões em andamento.
O presidente da CPI do Narcotráfico, Magno Malta (PTB-ES), entregou um exemplar da Bíblia a FHC. Eu citei uma frase de George Washington: Não se governa um povo sem Deus e sem a Bíblia. O presidente aceitou a Bíblia, afirmou o deputado Malta.
Fernando Henrique comentou ainda durante a reunião, segundo relato de parlamentares, que o assassinato no MorumbiShopping, em São Paulo, é um sintoma do envolvimento de jovens com as drogas no País.Presidente admite que narcotráfico está enraizado na sociedade brasileira e pede envolvimento de todos no seu combate
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