FHC quer caso Marka apurado com rigor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 1999
Isabel Braga Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem em Bonn (Alemanha) rigor na apuração das denúncias de irregularidades e corrupção no Banco Central em favorecimento ao Banco Marka. Ele disse que a demissão do ex-presidente indicado do BC, Francisco Lopes, foi motivada por razões operacionais. Lopes teve o nome aprovado pelo Senado, mas foi exonerado antes de assumir o cargo, e tem agora o seu nome envolvido em supostas operações irregulares realizadas pelo BC.
Deixa eu esclarecer isso de uma vez por todas: já ouvi rumores, mas a mim nada jamais foi dito que implicasse o Dr. Chico Lopes no que quer que fosse, disse o presidente em Bonn, capital da Alemanha, onde chegou de manhã. Ele disse, ainda, que sugeriu a prisão de Salvatore Cacciola, ex-controlador do Banco Marka, para que ele confirmasse as informações veiculadas pela imprensa, de que o banco pagaria propina a funcionários do BC em troca de informações privilegiadas. Eu determinei ao ministro da Justiça (Renan Calheiros) que chamasse o presidente (do Marka), a pessoa do Banco Marka e que, se fosse o caso, o prendesse para que desse declarações, informou. Agora, simplesmente ter o rumor e depois sumir, isso não, emendou. Acho que nesse caso prende, prende, para esclarecer.
O presidente adiantou que já orientou autoridades a prestarem as informações necessárias sobre o caso. A obrigação do BC é ser transparente. Segundo ele, se forem confirmadas as denúncias, as autoridades brasileiras envolvidas também devem ser processadas e presas.
O presidente também disse nunca ter ouvido falar do Banco Marka e criticou a divulgação de informações não confirmadas, prática que não merece punição no Brasil. Até hoje eu protesto contra o fato de não se pôr na cadeia os que fizeram o Dossiê Cayman: foi divulgado amplamente e é uma falsidade, uma chantagem contra ministros e o presidente da República, afirmou, referindo-se ao conjunto de documentos que o envolve - junto com outros políticos - a uma suposta empresa instalada em um paraíso fiscal. Isso não pode ficar assim, havendo provas, se leva aos tribunais e se prende, mas tem que provar, tem que mostrar.
FHC, que está na Europa para tentar restabelecer a confiança de investidores no Brasil, disse que as informações que recebeu apontam para o crescimento de confiança dos empresários alemães na recuperação econômica brasileira. Ele frisou que sua visita à Alemanha tem por objetivo mostrar sua clara determinação em cumprir as metas do acordo de superávit do PIB de 3,1% este ano.
Vamos, neste ano, chegar aos resultados a que nos propusemos, produzindo superávits, para que tenhamos como evitar a exposição do Brasil às incertezas do sistema financeiro internacional, enfatizou o presidente Fernando Henrique Cardoso. Meu depoimento direto, neste sentido, confirmará esta disposição e ajudará à percepção de que o Brasil tem excelentes oportunidades de investimento.
FHC acrescentou, entretanto, que o objetivo maior da sua visita ao país é discutirö um aumento nas relacões entre os dois países e principalmente entre Mercosul e União Européia.
Além do encontro com o primeiro-ministro alemão Gerhard Schröeder, o presidenteö fará hoje em Colônia (a 25 quilômetros de Bonn), uma palestra na sede da Confederação das Indústrias Alemãs, respondendo às perguntas de empresários. FHC janta hoje à noite com um grupo de empresários no Castelo de Lerbach.


