FHC quer campanha eleitoral mais curta
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Agência Estado 
Porto Alegre
Dois dias após obter do Congresso o direito de se recandidatar ao cargo, o presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou-se favorável à redução do tempo das campanhas eleitorais. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ontem de manhã, sugeriu ao Congresso que restrinja o horário eleitoral argumentando que a população está cansada de debates inconsequentes. Segundo ele, um dos males do Brasil é a politicalha. Fernando Henrique considerou a campanha no Brasil a mais longa do mundo.
Disse ter sido informado de que a lei das inelegibilidades (Lei complementar nº 64, de 1990) não se altera com a aprovação da reeleição. Se for isso, haverá a necessidade da desincompatibilização (apenas de governadores e prefeitos); se não for, o Congresso deve fazer o que bem entender, afirmou. Os ministros que quiserem se candidatar às eleições de 1998, acrescentou, terão de deixar o cargo. Fernando Henrique reclamou da forma como foi discutida a reeleição no Congresso: Fulanizaram a discussão, e aí complicou. Segundo ele, o vice-presidente Marco Maciel (PFL) continuará na sua chapa para disputar a reeleição em 1998.
Cardoso criticou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que acusou o governo de estar sob o comando do PFL. O governo é comandado por mim, disse. Na sua opinião, o PFL possui líderes no Congresso que incomodam os outros líderes porque têm experiência, têm capacidade de falar, a imprensa noticia. Sobre a proposta de Simon de realizar um referendo, disse que o Congresso rejeitou a idéia. Como ele quer agora que eu atropele o Congresso Nacional?, indagou. Agora é lei. Ele tem que respeitar a democracia.
O presidente voltou a descartar o envolvimento do governo na compra de votos. Segundo ele, neste ano, nem o Acre nem o Amazonas (governadores dos dois Estados acusados de ter comprado votos pró-reeleição) receberam qualquer recurso do governo federal. Ele disse ter um compromisso de campanha eleitoral com o Acre de fazer uma estrada no Estado. É vontade de jogar pedra sem ter base, respondeu.
Garantiu que o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, continuará ajudando na articulação política do governo, mas devendo se dedicar ao bom desempenho de sua pasta. Ele nunca foi meu porta-voz, afirmou, ao lembrar que Motta ajudou em certos momentos. O ministro fez um trabalho extraordinário na licitação da Banda B da telefonia celular. Conforme declarou, Motta continuará ajudando o deputado Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA) na articulação política mas como os outros ministros também ajudam. Ao abordar o caso dos precatórios, FHC assegurou que, se for comprovada alguma responsabilidade do Banco Central nas falcatruas, seus autores serão punidos.
Fernando Henrique também criticou a esquerda brasileira, os sem-teto e os pequenos agricultores que invadiram o Ministério do Planejamento semanas atrás. Advertiu aos sem-teto que pretendem enviar seis mil representantes a Brasília, na próxima semana, que não irá tolerar badernas. A manifestação é livre desde que não façam o que fizeram da última vez (referindo-se à invasão do gabinete do ministro Antonio Kandir), disse. Fiquei indignado. Se dependesse de mim, a polícia teria prendido todos os que entraram no ministério. A manifestação é livre, mas a bagunça é zero. Declarou já ter falado com o governador do Distrito Federal, Cristovão Buarque (PT), sobre o assunto. Ele sabe o que eu penso.
Na sua avaliação, atitudes do gênero só criam lideranças políticas de terceira categoria, que quando disputam vaga no Legislativo e se elegem desaparecem porque não têm competência. Na opinião do presidente, a esquerda brasileira, ou parte dela, está perdida. Não sabe do que se trata, não tem idéia do que aconteceu aqui ou lá fora, atacou. Li um editorial de O Estado de S. Paulo que eu gostei. Dizia: olha o Brasil está fazendo uma modificação na estrutura do Estado, criando as agências que vão cuidar de transporte, de comunicação, de energia, do petróleo etc, que é uma nova forma de tornar o Estado mais eficaz, controlar mais, fiscalizar mais, comentou.


