O ministro Pedro Parente, chefe da Casa Civil da Presidência da República, afirmou ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘gostaria’’ de ver o caso do desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo ‘‘investigado até o último detalhe’’. ‘‘Qualquer que seja o caminho encontrado, o presidente quer que se investigue tudo até o fim’’, disse. Segundo Parente, FHC quer ‘‘os responsáveis com as culpas apontadas e as penas aplicadas’’.
O ministro negou que tenha faltado apoio do governo à subcomissão do Senado que estava encarregada de aprofundar as investigações sobre as irregularidades da obra. ‘‘O Executivo fez tudo o que tinha de fazer’’, afirmou. Parente citou o depoimento prestado à subcomissão pelo ministro Martus Tavares (Planejamento, Orçamento e Gestão), que, na sua opinião, ‘‘elucidou o papel do Executivo’’ na liberação de recursos para a obra.
A oposição pretende retomar na próxima semana a coleta de assinaturas de deputados e senadores para criar uma CPI para apurar as responsabilidades de autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário no desvio de recursos do Fórum. Para a oposição, o fracasso da subcomissão reforçou a tese da CPI.
‘‘O governo descartou a instalação de uma CPI para apurar as suspeitas de envolvimento do ex-secretário-geral de FHC Eduardo Jorge com a desculpa que a subcomissão estava investigando o caso. Agora, ficou claro que o único fórum adequado é uma CPI’’, disse o senador José Eduardo Dutra (PT-SE).
Para a oposição, a subcomissão fracassou porque não tinha poderes, como o de quebrar sigilos dos envolvidos. ‘‘A participação de Eduardo Jorge no caso TRT não está esclarecida ainda’’, disse.
A subcomissão transferiu para a Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) do Senado a tarefa de investigar outras acusações contra EJ, como a de tráfico de influência. Dutra disse que a CFC também não tem poderes investigatórios. A busca de adesões para a CPI será retomada na próxima semana, a única em que o Congresso vai trabalhar normalmente antes das eleições. No Senado, são necessárias 27 assinaturas e na Câmara, 171.

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