FHC quer ampliar comércio com a África
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o comércio entre o Brasil e a África do Sul é muito pequeno e sugeriu aos empresários dos dois países que aumentem os investimentos. Hoje, em Joannesburgo, cerca de 70 empresários brasileiros se reúnem com 200 empresários sul-africanos para discutir oportunidades de negócios.
O encontro será presidido pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampreia, e pelo Ministro da Indústria e do Comércio sul-africano, Alec Erwin, que confirmou visita ao Brasil em 97, chefiando uma missão comercial sul-africana.
Em 1995, o Brasil importou US$ 292,5 milhões da África do Sul e exportou US$ 242,1 milhões, registrando um déficit comercial de US$ 50 milhões. O Brasil exporta, principalmente, autopeças, motores elétricos, açúcar, produtos siderúrgicos e químicos. A África do Sul vende carvão mineral, álcool carburante, minérios em geral, papel e papelão e produtos químicos.
O embaixador do Brasil na África do Sul, Otto Agripino Maia, acredita que os investimentos brasileiros no País deverão aumentar. A Anglo American, maior empresa mineradora do mundo, está interessada em comprar a companhia Vale do Rio Doce. A empresa controla 80% do mercado mundial de ouro, platina e diamantes e já é sócia da Vale na exploração de cobre na mineração do Salobo, na Serra dos Carajás. A Gencor, outra mineradora sul-africana, é sócia da Vale na Valesu, na mineração Rio do Norte (exploração de bauxita) e na Alunorte.
As empreiteiras brasileiras e a Eletrobrás querem investir na distribuição de energia na África do Sul. A maioria das cidades habitadas exclusivamente por negros não tem luz elétrica até hoje. Faltam também moradias e o governo africano tem um projeto para construir um milhão de casas populares.
Há interesse ainda na área do transporte coletivo. O país, com o fim do regime de segregação racial, ficou sem transporte coletivo eficiente. No tempo do apartheid, os ônibus verdes transportavam a minoria branca e os vermelhos levavam os negros.
O presidente da Petrobrás, Joel Rennó, que acompanha a comitiva presidencial, disse que a Petrobrás tem interesse em negociar a transferência de tecnologia no aproveitamento do carvão mineral da empresa mista Sasol para a estatal brasileira.
Com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 132,4 milhões (1995), a economia sul-africana passa por um momento delicado. Os juros altos (20% ao ano) e o enorme desemprego (cerca de 10 milhões, 40% da população economicamente ativa) são os maiores problemas do país. Há ainda oito milhões de trabalhadores ilegais e escassez de mão-de-obra qualificada.


