Agência Estado - De Brasília e
Patrícia Zanin - De Londrina
O presidente Fernando Henrique Cardoso quer acabar com os bingos no País. O anúncio foi feito ontem pelo líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), que – a exemplo do senador Roberto Requião (PMDB-PR) – apresentou projeto sugerindo a extinção desse tipo de jogo.
Em outubro, o presidente revogou portaria que regulamentava os videobingos, após denúncias de envolvimento da máfia italiana com o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp). ‘‘Estou convencido de que atrás de cada bingo há uma malandragem’’, disse Arruda, durante sessão da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em que foram ouvidos procuradores da República responsáveis pela investigação de irregularidades na autorização de bingos.
Hoje, o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL), prestará esclarecimentos sobre o assunto no plenário do Senado, às 10 horas. Os procuradores da República no Distrito Federal Luiz Francisco Fernandes de Souza e Guilherme Zanina Schelb, ouvidos ontem na CAS, preparam ação de improbidade administrativa que terá Greca como réu, por omissão nos procedimentos de controle e regulamentação das máquinas de bingo eletrônico pelo Indesp. As máquinas estão proibidas no País desde o mês passado, por decreto presidencial.
Segundo Souza, ouvido ontem pela Folha por telefone, não é necessário pedir autorização do Congresso para processar o ministro, que é deputado federal licenciado, porque a ação é por improbidade, e não criminal. Além de omissão, a ação contra Greca se fundamenta na permissão de enriquecimento ilícito de terceiros e recebimento de vantagens econômicas por tolerar jogos de azar. ‘‘Doze depoimentos mostraram que ele usava critérios políticos para autorizar bingos e, com isso, impulsionar sua candidatura ao governo do Paranᒒ, acusou Souza.
O procurador incluirá na ação o ex-diretor do Indesp, Luiz Antônio Buffara de Freitas, a família Ortiz, de São Paulo, ligada a mafiosos italianos, Tiago Loureiro, testa-de-ferro de empresas da família Ortiz, Manoelzinho Durzo, bicheiro do Distrito Federal, e bingos do Distrito Federal.
Investigações do Ministério Público mostram que a portaria que regulamentou as máquinas de bingo eletrônico foi preparada na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por representantes de empresários envolvidos com a máfia siciliana. A portaria entrou em vigor em junho, substituindo portaria semelhante de outubro de 1998. Ambas contrariavam a Lei Pelé.
Ontem, o procurador sugeriu aos senadores a criação de uma comissão mista que investigaria, junto com integrantes da CPI do Narcotráfico, a autorização de bingos pelo Indesp, além de conexões com a máfia italiana e a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Para o presidente da CAS, senador Osmar Dias (PSDB-PR), cabe ao Senado instituir a CPI dos Bingos, derrubada na semana passada graças a um esforço governista. ‘‘Eu me proponho a coletar de novo as assinaturas’’. Ontem, Arruda disse ser favorável, ‘‘em princípio’’, à CPI mista.

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