FHC promete revisar a lei trabalhista
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de julho de 1998
Das Agências 
O presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu ontem, no Palácio do Trabalhador, em São Paulo, realizar as reformas necessárias e mudar a legislação sindical. Vamos discutir com os trabalhadores e quando estivermos afinados, iremos renovar as formas de contrato de trabalho e de organização sindical e liberar o trabalhador do jugo do imposto obrigatório, discursou, durante solenidade de formatura de 3.480 alunos do curso de qualificação e requalificação profissional da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
A cobrança de reforma na legislação trabalhista foi feita pelo presidente licenciado da Força, Luiz Antonio de Medeiros, candidato a deputado federal pelo PFL. Em clima de campanha, Medeiros defendeu a reeleição de FHC e, na hipótese de um segundo mandato, a flexibilização de leis como as que garantem o pagamento do 13º salário e do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
O importante é manter o vínculo empregatício, disse o sindicalista. Segundo ele, o não pagamento dos direitos seria uma maneira de evitar as demissões.
De acordo com o presidente Fernando Henrique, o desemprego se combate com investimentos e treinamento tecnológico. Claro que há algumas atividades tecnólogicas que não geram empregos elas próprias, mas geram outras atividades que geram empregos, disse. Não há outro mecanismo, não há milagre nessa matéria, disse aos jornalistas ao visitar as instalações do Centro de Solidariedade do Trabalhador, inaugurado no dia 20. O centro é a primeira agência não-governamental de serviços, criada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em convênio com o Ministério do Trabalho.
Fernado Henrique afirmou que o governo dispõe de muitos recursos para requalificar trabalhadores e que fará o possível para criar condições mais favoráveis para os trabalhadores. Não soube, porém, especificar o montante de recursos reservados para essa área. São milhões de reais, nem adianta dizer quantos, porque são muitos, afirmou. Ninguém cria emprego com retórica. Só se combate o desemprego com investimentos e treinamento em mão-de-obra. Aqui temos um exemplo e uma parceria que funcionou, acrescentou.
Segundo o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, presente ao evento, o governo dispõe de R$ 1 bilhão no Orçamento para investir no treinamento de trabalhadores nos anos de 1998 e 1999. Até o fim do ano que vem, queremos chegar à meta de cinco milhões de trabalhadores treinados, disse.


