FHC promete reajuste para militares
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaEntendimentoO presidente FHC, aos militares: As restrições, muitas vezes, podem levar a limites do insuportávelO presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou que os militares poderão ter seus salários reajustados, com a elevação da Gratificação de Condição Especial de Trabalho (GCET), hoje de 36%. O anúncio foi feito durante o almoço de confraternização de final de ano, com 150 oficiais-generais, no Clube do Exército, logo após discurso do ministro do Exército, general Zenildo Lucena, anfitrião da cerimônia, lembrando que os militares vêm dando sua cota de sacrifício há algum tempo.
Fernando Henrique disse à platéia que os militares têm hoje, perante à sociedade, uma credibilidade superior a 80%. É de dar inveja a qualquer outro segmento da população, especialmente a nós, políticos, disse. O presidente prometeu também recursos para o reaparelhamento das três forças e citou, em especial, a prioridade para a modernização dos aviões F-5 e, possivelmente, a aquisição de aviões de transporte de tropa.
Uma das principais queixas dos militares é a falta de recursos para reequipamento das forças. Fernando Henrique informou que, a despeito das limitações existentes, determinou ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que não postergue, além do razoável, os estudos para aprovar o pagamento integral da GCET. Se a gratificação for elevada para 100%, os militares poderão ter seus salários aumentados em até 30%.
O Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) enviou ao Ministério da Fazenda vários estudos propondo o aumento da GCET, em diferentes níveis, saindo dos atuais 36% até alcançar os 100% pretendidos pela categoria. Gratificações semelhantes já existem para outras categorias de funcionários civis.
O ministro do Exército, general Zenildo Lucena, ressaltou no discurso o sacrifício dado pelos militares. Temos racionalizado nossas atividades até o limite do possível, de modo a manter, apesar da escassez de recursos, o funcionamento da máquina bélica, sem deixar esmorecer a motivação e o desempenho dos quadros e da tropa, afirmou o ministro. O general Zenildo salientou que sacrifícios vêm sendo exigidos de parcela considerável da população, na qual as Forças Armadas estão incluídas.
O ministro acrescentou ainda que, ao assumir as restrições impostas ao setor público, as Forças Armadas se colocam como fator importante, senão decisivo, para o respaldo das políticas adotadas pelo governo, tanto no plano interno, quanto no externo. O general Zenildo salientou que graças ao elevado grau de disciplina, à imaginação criadora e ao espírito patriótico de marinheiros, aviadores e soldados, a operacionalidade tem sido mantida, enquanto a certeza de dias melhores nos anima a persistir.
Ao responder ao discurso do ministro, o presidente reconheceu que as restrições, muitas vezes, podem levar a limites do insuportável. O presidente elogiou os militares que têm se mantido afastados da política partidária. Segundo ele, esta é uma fórmula que lhes assegura o rumo permanente da disciplina e da coesão.
Fernando Henrique defendeu também a aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) segundo a qual os militares passam a ser servidores do Estado e não mais servidores públicos. O presidente espera que esta PEC, aprovada ontem na comissão de Constituição e Justiça no Senado, seja aprovada no Senado.


